Victor de Sousa, general manager da AFA Real Estate, reconheceu que há algum receio por parte dos investidores devido às restrições e elevada carga fiscal no setor da habitação, defendendo, por isso, que devem ser tomadas medidas para reduzir riscos e incentivar o investimento.
“Os promotores têm vontade para investir, desde que o risco seja menor”, afirmou, durante o segundo painel da conferência ‘Madeira: Prioridades e Desafios’, do JM e do Expresso, que decorreu esta sexta-feira no auditório do Colégio dos Jesuítas.
O diretor da AFA Real Estate indicou que há sinais de que “o produto diferenciado continua a ter procura”, sobretudo com a instabilidade provocada noutros mercados graças às guerras na Ucrânia e no Médio Oriente, mas também pelo crescimento da economia regional. Todavia, fez questão de separar os segmentos distintos: “O segmento alto é um nicho e o segmento médio é outra coisa, não competem uma com a outra.”
Sendo realista, Victor de Sousa reconheceu que “é muito difícil conseguir no centro da cidade preços acessíveis para um segmento médio”. Nesse sentido, defendeu que se deve intervir ao baixar a carga fiscal e baixar os riscos que afastam os empreendedores. Sem esses incentivos, afirmou, “é difícil, porque não é rentável”.
Numa habitação para o setor médio, deu o exemplo, os promotores podem esperar uma margem de lucro entre os 10% e os 15%, ao passo que o IVA sobre a construção civil à taxa normal se cifra nos 23%, apontando por isso que o Estado acaba por ter mais lucro do que as próprias empresas.
“Para termos habitação mais acessível, ou se aumenta o poder de compra, ou se atua nos custos de construção”, concluiu.