Num almoço convívio realizado hoje pelo PCP, para comemorar o 105º aniversário do partido, os problemas que afetam os madeirenses foram abordados nas intervenções políticas.
Aos jornalistas, Ricardo Lume, criticou a “falta de vontade política” dos governantes em resolver os problemas que afetam os madeirenses, em particular ao nível da habitação e aumento do custo de vida.
Ricardo Lume sublinhou que, ao longo da sua história, o PCP esteve sempre ao lado das populações, desde as lutas nas zonas altas por melhores acessos, saneamento básico e transportes públicos, até à defesa do direito à habitação. Para o dirigente, estas conquistas não podem ser dissociadas da intervenção do partido, afirmando que “não houve uma conquista do povo que não tivesse também a mão do PCP”.
Nos dias que correm, alertou para o agravamento do custo de vida, com a subida dos preços dos combustíveis e dos bens essenciais a colocar em dificuldades quem vive de salários baixos ou reformas reduzidas. Na sua perspetiva, existem soluções ao alcance do poder político, como a regulação de preços e o aumento significativo dos salários, mas falta vontade para as implementar. Os governos regional e nacional “estão maniatados por interesses alheios aos dos madeirenses e portugueses”, acusou o comunista.
O dirigente criticou ainda as prioridades do Governo Regional, apontando o investimento em projetos como campos de golfe ou processos de privatização na saúde, em detrimento de respostas concretas a problemas estruturais, como a habitação ou a melhoria das acessibilidades nas zonas mais periféricas do Funchal.
Apesar da perda de representatividade institucional do PCP na Madeira, Ricardo Lume garantiu que o partido continua presente no terreno, junto das populações e dos trabalhadores. Destacou a ligação ao movimento sindical e às comunidades locais como prova de que o PCP “é mais do que a sua representação institucional”.
Ainda assim, reconheceu a importância de recuperar presença nos órgãos políticos regionais e locais, defendendo que a voz das populações deve estar representada nesses espaços. Para Ricardo Lume, o futuro passa por reforçar essa intervenção, mantendo o compromisso histórico de luta e resistência que marca os 105 anos do partido.