O sono é um estado fisiológico essencial para manter o equilíbrio do nosso organismo. Desempenha funções vitais como o desenvolvimento, conservação de energia, regulação hormonal e cardiovascular, reforço do sistema imunitário, restauração dos tecidos, neuroplasticidade e regulação cognitiva e emocional.
Uma boa noite de sono é essencial para uma boa saúde física e mental. Revitaliza o corpo e a mente, preparando-nos para ter o melhor desempenho no dia seguinte. Os cientistas definem uma boa noite de sono em termos de quantidade (nem muito pouca nem muita) e qualidade (adormecer rapidamente e permanecer dormindo).
Contudo, muitas pessoas não dormem o tempo necessário ou passam muito tempo acordadas durante a noite. A Sociedade Portuguesa de Patologia Respiratória, através da sua Comissão de Trabalho de Patologia Respiratória do Sono, realizou um estudo em 2023 onde concluiu que 52% dos inquiridos sentem que raramente dormem bem, 75% dormem menos de 7h e 19% dormem menos de 6h, quando um adulto deveria dormir entre 7h e 9h. Já 24% referem acordar frequentemente cansados e 51% admitem sonolência diurna excessiva.
Perante este cenário de saúde pública, é essencial promover uma boa higiene do sono, que consiste num conjunto de práticas e rotinas que ajudam a dormir melhor. Este conceito tornou-se uma referência também no domínio da saúde ocupacional, uma vez que a privação do sono constitui um dos fatores de risco mais subestimamos no contexto laboral, com implicações no desempenho, na saúde e na segurança dos trabalhadores. Torna-se então prioritário trazer as boas práticas de higiene do sono para o centro das políticas de segurança e saúde no trabalho, enquanto ferramenta estratégica de vigilância e promoção da saúde ocupacional.
Segundo um artigo da Harvard Health Publishing (2025), a higiene do sono inclui as seguintes medidas: 1) tornar o seu ambiente de sono confortável e propício a um sono ininterrupto; 2) manter um horário de sono consistente de 7h a 9h por noite para a maioria dos adultos; 3) seguir uma rotina antes de dormir que o ajude a adormecer; 4) estabelecer hábitos diurnos que otimizem o sono reparador à noite; 5) adaptar essas práticas para obter os melhores resultados. Os especialistas também recomendam ir dormir e acordar no mesmo horário todos os dias, incluindo fins de semana. Embora seja mais saudável dormir consistentemente durante toda a semana, uma declaração consensual de 2023 da National Sleep Foundation sugere ainda que, após uma semana com sono insuficiente, pode ser benéfico recuperar o sono perdido nos fins de semana.
Já a nível corporativo, a Centralmed, num artigo da RHmagazine (2025) defende que as organizações devem adotar uma abordagem preventiva da higiene do sono enquanto dimensão decisiva da saúde ocupacional, sugerindo as seguintes medidas: 1) reavaliar a gestão de horários e turnos; 2) formar líderes para identificar sinais de fadiga; 3) criar espaços de pausa e repouso adequados; 4) promover ativamente a desconexão digital; 5) garantir acesso célere a apoio clínico especializado; 6) incorporar o sono nas consultas de medicina do trabalho; 7) incluir a higiene do sono na formação profissional.
Em suma, num mundo cada vez mais exigente e acelerado, a higiene do sono afigura-se como um alicerce fundamental para a prevenção da saúde pública em geral e da saúde ocupacional em particular. Parafraseando E. Joseph Cossman: “A melhor ponte entre o desespero e a esperança é uma boa noite de sono.”