O Governo Regional anunciou esta terça-feira um aumento de dois cêntimos por quilograma na cana-de-açúcar, a pagar aos produtores na próxima safra, que se inicia dentro de pouco tempo. “Uma esmola, uma injustiça”, reagiu o deputado do Juntos Pelo Povo (JPP), Rafael Nunes.
O anúncio surgiu depois de uma reunião entre o Governo Regional do PSD-CDS com operadores económicos, a ACIF e os representantes dos agricultores. “Em contactos recentes, os produtores pediram ao JPP para ser porta-voz das suas dificuldades, o que fizemos, nos últimos dias, por mais de uma vez”, afirmou o parlamentar. “Em intervenções públicas, sensibilizamos o Governo para a necessidade de aumentar de 60 para 70 cêntimos Kg o preço a pagar este ano pela cana-de-açúcar, o governo fez “ouvidos de mercador”, foi injusto e forreta para com os agricultores, mas é mãos largas a esbanjar milhões de euros em jantaradas luxuosas”.
A proposta do executivo fica muito aquém do valor proposto pelo JPP. O maior partido da oposição pretendia um aumento de 10 cêntimo Kg, o governo concedeu apenas dois cêntimos: “Qualquer aumento é sempre bem-vindo, mas não deixa de ser caricato que, numa completa alienação da realidade vivida pelos produtores, a secretaria da Agricultura e Pescas anuncie um aumento irrisório.”
Rafael Nunes foca-se nos “aumentos brutais” dos fatores de produção para referir que “com esta esmola, os agricultores vão ter que ir ao próprio bolso buscar dinheiro” para suportar a inflação generalizada, que tem pressionado ainda mais o agravamento de preços nos fitofármacos (remédios agrícolas), combustíveis, transporte, água para rega e aumento considerável da mão-de-obra.
Um quadro que o também vice-presidente da Assembleia Legislativa da Madeira (ALRAM) coloca em oposição à valorização da aguardente de cana e do rum, mencionando, a título de exemplo, que o preço da aguardente de cana tem vindo a ser valorizado, variando, atualmente, entre cerca de 23€ e mais de 37€ (com base nos preços praticados em lojas online e garrafeiras especializadas).