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Artigo de Opinião

Presidente da SEDES Madeira

24/08/2023 08:00

Estudo recentemente publicado pela Pordata/Eurostat mostra bem esta realidade com Portugal a ultrapassar a média Europeia nos últimos dez anos tanto na frequência de jovens no ensino superior (28% em Portugal, 19% na UE) como no ensino secundário (90% em Portugal, 84% na UE).

O país fez um caminho de literacia e qualificação da sua população absolutamente extraordinário e todos os nossos jovens revelam níveis de desempenho em funções laborais ou académicas em outras geografias, sejam elas os mais desejados países do G5 ou em geografias emergentes, com elevadíssimo sucesso, ética e sentido de responsabilidade.

Esta é a nossa Juventude. É uma juventude que deve orgulhar a região e o país.

Talvez um dos maiores efeitos que assinalaram as recentes Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) é o orgulho que todos sentimos nos mais de um milhão e meio de jovens que se uniram na diferença económica, social, política e religiosa demonstrando que eles sim têm Esperança na construção de um mundo melhor e inclusivo.

O conjunto de dados apresentado pelo estudo da Pordata/Eurostat revela e quantifica duas grandes conclusões para o país: i. o caminho da literacia da população funciona e é um sucesso reconhecido internacionalmente, mas ii. o país não está a beneficiar desse investimento em talento.

Como mãe de dois filhos partilho a minha visão pessoal que penso que tocará muitas mães, pais, avós, famílias, os nossos filhos têm atualmente capacidades inatas e um potencial muito superior ao que qualquer um de nós apresentava com a mesma idade.

Os desafios são: têm menores e piores oportunidades de empregabilidade, habitação e circunstâncias de construírem eles próprios uma família em Portugal.

Portugal apresenta um declínio anual crescente no número de jovens.

Em 2022 contabilizavam-se em Portugal 1086544 jovens (15 e os 24 anos) representando uma diminuição de 6% desde 1961, cerca de menos 90000 jovens ou seja cerca de 80% da população residente atualmente na cidade do Funchal (Census 2021).

A redução da taxa de natalidade do país em conjunto com a resignação emocional e social em ver os nossos jovens procurarem construir a sua vida fora de Portugal levará a uma inevitável falência do atual paradigma financeiro e económico do país tendo como primeiro reflexo o atual modelo de gestão de Pensões e Segurança Social do país.

Daí também (mas não só) a urgência de refletirmos sobre a imagem que as JMJ nos deixou e criarmos soluções que permitam reter o talento criado em Portugal.

Magníficos reitores e também amigos, Isabel Capeloa (Universidade Católica Portuguesa) e Sílvio Fernandes (Universidade da Madeira) têm reiterado continuamente esta preocupação promovendo o debate contínuo junto de entidades privadas, políticas e fundações para que se encontre um modelo de desenvolvimento económico do país que inclua os nossos jovens.

A nossa comunidade da Diáspora é ela também um excelente exemplo de quem estando fora do país contribui ativamente para acolher quem vai mas também criando oportunidades de regresso ao país.

Somos o ''pequeno'' país com cerca de 10 milhões de habitantes e mais de 30 milhões de luso-descentes no mundo.

Soluções para o futuro?

No último Fórum Madeira Global, Pedro Reis, ex-presidente da AICEP e associado Sedes de longa data, recomendou com enorme eloquência e humildade uma forma de pensamento pragmático: Keep it simple.

Pensamento pragmático com ambição gerará sempre soluções concretas para a população.

Deixo três medidas para reflexão que me parecem simples, exequíveis e eficazes:

1. Fixação da taxa máxima de escalão de IRS para o escalão jovem nos 10% com ampliação até aos 30 anos (Atrair);

2. Incentivo à primeira habitação em modelo de arrendamento ou aquisição própria com benefício fiscal até 30% (Reter);

3. Transportes públicos nacionais e 5G gratuitos (Mobilizar).

Atratividade, retenção, mobilidade de talento jovem.

Beneficia o país socialmente, beneficiam os empresários, promove-se uma economia com ciclo de desenvolvimento com ''pegada'' mundial benigna.

Na base de toda e qualquer solução futura estarão sempre o custo fiscal país (pessoas e empresas) e uma ambiciosa política de coesão territorial.

Um país com a atual estrutura de pirâmide demográfica precisa urgentemente criar condições para reter os nossos jovens assim como planear e executar estruturalmente o acolhimento de todos os que escolhem Portugal como seu país. Todos e todas.

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