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Artigo de Opinião

Professor Universitário

13/06/2024 08:00

Estamos vivendo tempos estranhos e desafiantes na defesa e respeito pelos direitos humanos a nível mundial. Alimentar, pois, a esperança é essencial para todos os defensores dos direitos humanos. Vozes globais têm o poder de transformar vidas e desmantelar práticas opressivas que diretamente afetam todos quantos vêm os seus direitos humanos violados.

A defesa dos direitos humanos contempla uma ampla gama de práticas interdisciplinares com o objetivo de promover a esperança e defender os direitos humanos. E esperança é poder. Tais práticas e abordagens são não só inspiradoras como a raiz da realidade ontológica para capacitar a mente das pessoas. Elas promovem a esperança e demonstram a importância da educação para os direitos humanos.

A pedagogia da esperança capacita e inspira para a prática dos direitos humanos. Sem esperança, as lutas, ações ou atos por si só, podem ser pura ilusão. Ao considerarmos e promovermos a esperança na prática dos direitos humanos, poderemos compreender melhor o que torna a defesa e luta pelos direitos humanos uma realidade em qualquer contexto global.

Os defensores dos direitos humanos sublinham frequentemente que quando as pessoas são privadas dos seus direitos e enfrentam opressão, perseguição, prisão ou são mesmo expostas a diferentes situações de risco de vida, começam muitas vezes por inconscientemente acreditar que estão inversamente destinadas a tais tratamentos desumanos por se sentirem “algemados”, o que inconscientemente os mantêm entrincheirados nas condições desumanas de opressão impostas às suas vidas, mesmo quando nascem nessas condições. Mas ao incorporarmos a esperança na vida das pessoas através do uso do empoderamento e da defesa de direitos, os direitos humanos começam a ser vistos como alcançáveis para essas pessoas.

Tal como defendia Paulo Freire, somente o poder pode retirar alguém das circunstâncias desumanas em que está enraizado. Alimentar a esperança tem pois muito poder porque motiva continuamente alguém a lutar pela realização e defesa desses direitos. O que Paulo Freire nos propôs foi ultrapassar o nível superficial da questão e proporcionar à pessoa a oportunidade de desafiar a sua própria opressão.

A esperança pode, pois, ser alimentada de forma mais eficaz educando as pessoas sobre a importância da prática dos direitos humanos. Todas as pessoas devem ter oportunidades iguais para lutar pelos seus direitos humanos e a ninguém deve ser negado o exercício dos seus direitos humanos fundamentais. Para implementar a esperança, é necessário capacitar aqueles que enfrentam violações dos direitos humanos, ou outras formas de opressão, para defenderem ainda mais que é possível ver os seus direitos humanos cumpridos.

A contínua deterioração dos direitos humanos a nível mundial, do Sul global às Américas, do Médio Oriente à Europa, ou mesmo em África, em particular na Ucrânia e na Faixa de Gaza nos comprometem a todos com necessidade de restaurar o sentido de esperança na prática e defesa dos direitos humanos no século XXI.

*Faculdade de Ciências Humanas, Universidade Católica Portuguesa

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