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Artigo de Opinião

3/02/2024 08:00

Aqueles que sabem muito sobre qualquer coisa, têm também, normalmente, a capacidade de se fazer entender claramente por aqueles que sabem pouco ou nada sobre o tema, a habilidade de, com simplicidade e humildade transmitir os seus conhecimentos, descendo ao patamar de entendimento daqueles com quem entram em relação. Nisto reside o brilho e o charme do verdadeiro conhecimento, que se dispensará naturalmente no diálogo entre pares. Quantos de nós já não se confrontaram com um interlocutor que nos invade com um palavreado técnico, cuja compreensão nos passa obviamente ao lado. Esta postura advém, quase sempre, do sujeito não saber assim tanto do assunto ou querer mostrar fervorosamente o pouco que sabe, revelando um primeiro indício de incompetência. Ou então está a ser despropositadamente arrogante ou a querer venenosamente nos endrominar. Vem isto a propósito de se avizinharem eleições nacionais e despontar uma certa conversa fiada que já não empolga o cidadão comum. Oleiam-se os aparelhos partidários, as suas agendas e folclore mediático, secundados por um séquito de emissários fanático que por lá deambula, e opina, de olho num qualquer estatuto ou prebenda, quando o cidadão comum, que não tem agenda partidária, espera e confia, de boa fé, que todo aquele paleio e frenesim tenha em vista acautelar a defesa do interesse da colectividade. E é ver mensageiros a falar do que não sabem, atirando conceitos de ouvido, sobretudo da ciência económica e vomitando à saciedade palavras como desenvolvimento, sem se perceber de quê ou de quem. Enche-se a boca com esquerdas e direitas, numa catalogação futebolística e estéril do adversário, apelando ao fantasma do que come crianças ao pequeno-almoço ou daquele que come o pequeno-almoço das crianças, quando o foco deve hoje centrar-se fundamentalmente entre a democracia e o autoritarismo, a seriedade e o folclore aldrabão, a liberdade e a repressão. E insiste-se em criar ficções, como verdadeiros tiros nos pés, que cedem facilmente na análise desempoeirada da realidade de quem a vive no dia a dia. Há duas coisas que minam sobremaneira a confiança do cidadão: a traição aos seus interesses pela promessa falsa ou incumprida e o insulto que as trapaças e a conversa fiada constituem à sua inteligência. O cidadão comum não é burro, nem desprovido de entendimento desde que se lhe faça chegar as coisas de forma simples e perceptível, sem rendilhados demagógicos. Em lugar de se entreterem em jogos de comadres desavindas, mais preocupadas com a casa alheia, atirando ao rosto feitos e passados, casos e casinhos, quando ninguém parece ter o sótão limpo, concentrem-se em demonstrar ao que vêm, porque é do futuro que se trata. Mais do que o charlatanismo das teorias do caos e da desgraça, dos ódios e das clivagens entre cidadãos tidos por inimigos, do simples cavalgar o descontentamento, mostrem positivamente e em concreto as soluções que preconizam. Um político capaz não deve depender de assessorias malabaristas, comunicação social arregimentada e tramóias de consumo imediato destiladas nas redes sociais que lhe mastiguem e traduzam o pensamento e a visão. Para que a decisão de escolher seja livre e consciente, é forçoso que aqueles que sabem da poda e se queiram assumir como verdadeiros estadistas se apresentem ao país com um rumo claro, propostas concretas e facilmente assimiláveis por todos, numa linguagem que seja possível discernir e confiar. E já agora que desassombradamente se assuma com quem se pretende eventualmente coligar, para não defraudar a confiança do eleitor. O povo dita sensatamente: “diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és”.

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