O candidato à liderança do PSD Paulo Rangel defendeu hoje que o voto no PS e em António Costa "será um voto inútil", porque não se pode aliar à esquerda e porque, se for líder, recusará qualquer Bloco Central.
"Para mim, enquanto candidato a líder do PSD, está fora de questão dar a mão ao PS e a António Costa e fazer renascer um Bloco Central de partidos e interesses", afirmou, em conferência de imprensa na sequência do ‘chumbo’ do Orçamento do Estado para 2022.
Para o eurodeputado, "o voto no PS e António Costa é inútil à esquerda, porque já não há entendimento possível com o Bloco e o PCP".
"Inútil à direita, porque recusaremos sempre uma solução pouco democrática e coxa de Bloco Central", afirmou, classificando-a também como "perniciosa".
Questionado se essa recusa não poderá cortar pontes num cenário pós-eleitoral, Rangel disse ser "o candidato que prima pela clareza e não pela ambiguidade", remetendo a posição do seu adversário interno, Rui Rio, para o próprio.
"Comigo não há bloco central, ele responderá", afirmou.
Na sua intervenção, Rangel defendeu que "a responsabilidade desta crise política é atribuível, por inteiro, ao Partido Socialista e em particular, ao seu líder, António Costa".
"Durante seis anos de má governação, feita sempre com o apoio pontual e circunstancial dos partidos da esquerda radical, António Costa e o PS quiseram simular uma aparente estabilidade política. Essa solução, que foi sempre frágil e insegura, condicionou imenso o crescimento do país, a sua criação de riqueza e pôs em crise o Estado social", criticou.
A Assembleia da República ‘chumbou’ na quarta-feira, na generalidade, o Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) com os votos contra do PSD, BE, PCP, CDS-PP, PEV, Chega e IL, abrindo caminho a eleições legislativas antecipadas.
O PS foi o único partido a votar a favor da proposta orçamental, que mereceu as abstenções do PAN e das duas deputadas não-inscritas, Joacine Katar Moreira e Cristina Rodrigues.
No último Conselho Nacional do PSD, em 14 de outubro, foi rejeitada uma proposta da direção para se adiasse a marcação do calendário eleitoral interno até se esclarecer se haveria ou não ‘chumbo’ do Orçamento e eventual crise político, com 71 conselheiros contra, 40 a favor e 4 abstenções.
O presidente do PSD e recandidato ao cargo, Rui Rio, tem defendido que foi "um aventureirismo e uma irresponsabilidade" não ter adiado as diretas, enquanto o candidato Paulo Rangel considera que só um líder "fortemente legitimado" se deve apresentar às legislativas.
As eleições diretas no PSD estão marcadas para 04 de dezembro e, até agora, apresentaram-se como candidatos Paulo Rangel e Rui Rio.
Lusa