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Leiria: D. José Ornelas elogia exemplo de imigrantes na limpeza da cidade e rejeita discursos de ódio

Data de publicação
01 Fevereiro 2026
17:49

O bispo de Leiria-Fátima rejeitou este sábado os discursos que associam os imigrantes aos problemas do país, elogiando o exemplo de muitos estrangeiros que se disponibilizaram para ajudar as populações atingidas pela depressão Kristin.

“Estamos juntos aqui, porque o vento não escolheu nacionalidades nem culturas, o vento chegou para todos, mas também moveu corações de todos”, disse D. José Ornelas à Agência ECCLESIA.

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa classificou as narrativas contra a imigração como uma “inverdade” que deve ser combatida.

Para o responsável católico, dizer que o país não funciona por causa dos imigrantes “é uma coisa que não é nem inteligente, nem constrói futuro nenhum”, assumindo o incómodo com a propagação de discursos racistas.

Na manhã deste sábado, cerca de 600 voluntários juntaram-se numa ação de limpeza no Estádio Municipal e no Percurso Polis, munidos de luvas, pás e vassouras.

Segundo o município, a mobilização permitiu chegar a outras zonas da cidade, numa iniciativa uniu pessoas de várias idades e nacionalidades, incluindo um grupo de alunos de Cabo Verde.

O bispo de Leiria-Fátima destacou a importância desta união de esforços, “seja para colaborar, seja para beneficiar dessa colaboração”.

A passagem da tempestade Kristin por Portugal continental, na última quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando mortes, feridos e desalojados.

D. José Ornelas alertou que o processo de recuperação será moroso, apesar da “boa vontade” e da “capacidade de coordenação” demonstradas no terreno.

“Neste momento ainda de proceder a limpezas e demolições, há todo um trabalho que vai levar ainda muito tempo”, indicou.

A par de Coimbra e Santarém, Leiria, por onde a depressão entrou no território, foi um dos distritos que registou mais estragos, estando neste momento o Seminário Diocesano desta região transformado num espaço de apoio e acolhimento aos profissionais da Proteção Civil, PSP, GNR e bombeiros.

O presidente da CEP revelou que ainda não conseguiu contatar metade dos padres da diocese,” porque vivem em zonas onde não há energia, não há ainda telecomunicações, ou começam a chegar muito lentamente, mas é difícil de comunicar”.

D. José Ornelas relatou também os danos nas estruturas de igrejas da diocese, nomeadamente problemas nos telhados.

“Isto exige meios para não se perder o património que estas igrejas contêm. Portanto, tem havido uma insistência, só que da nossa parte, mesmo para responder, para fazer um relatório, isto ainda leva o seu tempo”, referiu.

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