O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, sustentou hoje que o Reino Unido tem de “fazer mais” com a União Europeia (UE) em matéria de defesa, nomeadamente aderindo à iniciativa conjunta dos 27 Estados-membros para reforçar os arsenais.
Londres e Bruxelas não chegaram, no final de 2025, a acordo sobre a participação britânica no programa de apoio à indústria de defesa da Europa chamado SAFE, dotado de 150 mil milhões de euros sob a forma de empréstimos.
Os europeus estão a procurar desenvolver a sua indústria de defesa para enfrentar a ameaça russa e o risco de afastamento dos Estados Unidos da Europa.
As negociações pararam devido à contribuição financeira exigida ao Reino Unido, de até 6,5 mil milhões de euros, considerada demasiado elevada pelo Governo britânico.
“Penso que, em termos de despesa, capacidade e cooperação, temos de fazer mais em conjunto, o que deve levar-nos a analisar mecanismos como o SAFE e outros, para ver se não existe uma forma de trabalharmos mais estreitamente em conjunto”, declarou Keir Starmer à comunicação social.
Desde que chegou ao poder, em julho de 2024, o líder trabalhista tem procurado aproximar-se da UE.
Na sua primeira cimeira bilateral, na primavera de 2025, as duas partes concluíram uma “nova parceria estratégica”, que prevê uma mais estreita cooperação em matéria de defesa e segurança e também um alívio das restrições ao comércio de bens alimentares.
O comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, estará na segunda-feira em Londres, onde se reunirá com vários ministros britânicos, antes de uma cimeira bilateral a realizar este ano.
Starmer rejeitou qualquer ideia de regresso do Reino Unido à união aduaneira, o que colocaria em risco os acordos comerciais que Londres assinou com vários países, entre os quais a Índia e os Estados Unidos, mas mostra-se aberto a um maior alinhamento com as regras do mercado único.
“Precisamos de ir além” da aproximação já registada nesta área, afirmou, durante a sua recente visita à China.
“Penso que existem outros setores do mercado único em que poderíamos avançar mais. Isso dependerá dos nossos debates e do que considerarmos ser do nosso interesse nacional”, observou, sem adiantar mais pormenores.
O chefe do executivo britânico indicou igualmente que prosseguem as negociações sobre um programa de mobilidade para os jovens, que incluirá “um limite” em termos de número de vistos a conceder e de duração da permanência autorizada.
Londres e Bruxelas já chegaram a acordo para que o Reino Unido participe, a partir de 2027, no programa europeu de intercâmbio de estudantes universitários Erasmus.