O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou hoje, numa cimeira com presidentes americanos conservadores, que esta semana reconheceu formalmente o Governo de Delcy Rodríguez na Venezuela, ao restabelecer as relações diplomáticas entre os dois países.
“Tenho o prazer de dizer que esta semana reconhecemos formalmente o Governo venezuelano. De facto, reconhecemo-lo legalmente”, declarou Trump durante a iniciativa “Escudo das Américas” em Miami, onde convidou mais de uma dezena de líderes de direita da região.
O chefe de Estado norte-americano referiu-se ao anúncio feito na quinta-feira entre Washington e Caracas, quando acordaram retomar as relações diplomáticas e consulares após a intervenção militar dos EUA na Venezuela, que levou à captura do governante Nicolás Maduro a 03 de janeiro e à subsequente nomeação de Delcy Rodríguez.
O líder republicano afirmou que os Estados Unidos estão a “conseguir uma histórica transformação na Venezuela”, país com o qual tinham cortado relações em 2019, durante o primeiro mandato de Trump (2017-2021), quando Washington reconheceu o opositor e então presidente do Parlamento, Juan Guaidó, como presidente interino.
Trump também destacou que o Departamento do Tesouro dos EUA emitiu na sexta-feira uma licença que autoriza determinadas atividades de empresas norte-americanas relacionadas com a exploração e comercialização de ouro venezuelano, um setor que até agora estava sujeito a sanções.
Por outro lado, o presidente vinculou os esforços na Venezuela com a pressão da Casa Branca sobre Cuba, onde os EUA restringiram o fornecimento de petróleo venezuelano, e com a sua nova “Doutrina Donroe”, que justifica a intervenção de Washington na região por motivos de segurança nacional.
“Tal como estas situações na Venezuela e em Cuba devem deixar claro, sob uma nova doutrina, é uma doutrina na qual não permitiremos que a influência estrangeira hostil se estabeleça neste hemisfério”, advertiu.
Além do anúncio do reconhecimento do Governo de Delcy Rodríguez, Washington e Caracas estão também em negociações sobre a possível extradição de Alex Saab, considerado pelo Governo dos EUA como um testa-ferro do antigo presidente venezuelano Nicolás Maduro, agora detido em Nova Iorque por acusações ligadas ao narcotráfico e outros crimes.
Segundo o Miami Herald, fontes próximas das conversas indicam que Saab “poderá ser extraditado brevemente para os Estados Unidos” no âmbito de intensas negociações diplomáticas entre as duas administrações.
Saab, um empresário colombiano de origem libanesa, já enfrentou em Miami acusações de branqueamento de capitais, mas esse caso só chegou a ser arquivado em 2023 como parte de um acordo de troca de prisioneiros entre Caracas e Washington. Tinha sido detido em Cabo Verde em 2020 e extraditado para os Estados Unidos, embora o julgamento nunca tivesse avançado.
Na iniciativa “Escudo das Américas” que Trump inaugurou este fim de semana em Miami, quase 20 países da América Latina e do Caribe prometeram cooperar com os EUA para combater com força militar os “narcoterroristas”.