A polícia do Bangladesh disparou hoje balas de borracha e gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes que atiravam pedras e bloqueavam as principais estradas da capital, num protesto a pedir a demissão da primeira-ministra.
O Partido Nacionalista do Bangladesh (BNP, na sigla em inglês) e os seus aliados têm vindo, desde o ano passado, a realizar protestos a exigir a demissão de Sheikh Hasina e a pedir que as eleições marcadas para janeiro sejam realizadas sob a liderança de um governo provisório.
Os desacatos aconteceram em vários locais da capital, tendo a polícia de intervir para afastar os milhares de pessoas que se aglomeraram esta manhã a bloquear o trânsito nas principais ruas da cidade.
"Alguns polícias ficaram feridos", disse o porta-voz da Polícia Metropolitana de Daca, Faruq Ahmed, à Agence France-Press (AFP), acrescentado que, por este motivo, foi necessário disparar balas de borracha e gás.
Os jornalistas da AFP presentes em Dholaikhal, um antigo bairro que se tornou num centro de reparação de automóveis, viram manifestantes a atirar pedras contra os polícias e os seus veículos.
O inspetor da polícia Bacchu Mia disse à AFP que seis manifestantes foram hospitalizados com ferimentos.
Já os líderes do BNP, Goyeshwar Roy e Amanullah Aman, foram detidos, mas não presos, disse Ahmed.
O transporte entre a capital e outras regiões do país foi interrompido, com camiões e autocarros aglomerados em engarrafamentos.
Os governos ocidentais já expressaram preocupação com o clima político no Bangladesh, onde o partido de Sheikh Hasina domina o parlamento.
As forças de segurança são acusadas de deter dezenas de milhares de ativistas da oposição e de matar centenas de pessoas em confrontos.
Os Estados Unidos já pediram eleições livres e justas e dois altos funcionários do Departamento de Estado estão esta semana em negociações com autoridades locais em Daca.
LUSA