O chefe da Comissão para as Relações Externas do Partido Comunista da China (PCC), Wang Yi, e o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, defenderam hoje, em Jacarta, a "democratização" das relações internacionais e um mundo "multipolar".
Em comunicado, Wang disse ter confirmado com Lavrov o apoio mútuo entre os dois países, após uma reunião em Jacarta, onde ambos participam de um encontro entre chefes da diplomacia, no âmbito da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).
O representante chinês acrescentou que está a trabalhar com a Rússia no apoio à ASEAN como bloco essencial para a manutenção da paz e da estabilidade na região.
Em outra declaração, Lavrov também destacou as boas relações entre a Rússia e a China, lembrando que o seu trabalho contínuo promove os "princípios da justiça, igualdade e benefício mútuo nos assuntos internacionais".
Rússia e China acusam os Estados Unidos de impor a sua visão de ordem internacional e de usar as capacidades da NATO para promover os seus interesses.
Pequim recusou condenar a Rússia pela invasão da Ucrânia, iniciada em fevereiro do ano passado, e criticou a imposição de sanções ocidentais contra Moscovo. A China considera a parceria com o país vizinho fundamental para contrapor a ordem democrática liberal, liderada pelos Estados Unidos.
A guerra na Ucrânia, as disputas territoriais no Mar do Sul da China, a crescente rivalidade entre os Estados Unidos e a China e a crise em Myanmar (antiga Birmânia) são alguns dos temas mais importantes a serem debatidos no encontro da ASEAN, a decorrer esta semana na Indonésia.
Jacarta vai receber na sexta-feira o Fórum Regional da ASEAN e a reunião entre os ministros dos Negócios Estrangeiros da Ásia Oriental, que inclui representantes dos países do Sudeste Asiático, Estados Unidos, Rússia, China, Japão, Coreia do Sul, Índia e Austrália, entre outros.
Fundada em 1967, a ASEAN é composta pelas Filipinas, Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Singapura, Tailândia, Vietname e Myanmar e estabeleceu já um roteiro para a inclusão de Timor-Leste.
LUSA