Vários voluntários estrangeiros da legião internacional do Exército ucraniano denunciaram alegadas irregularidades na parte desta unidade subordinada aos serviços de informações militares ucranianos, revelou hoje um meio de comunicação local.
Segundo o jornal digital The Kyiv Independent, os soldados decidiram tornar públicas as acusações - que incluem abuso de poder, conduta negligente e assédio sexual - depois de não obterem respostas às suas queixas, que também foram enviadas ao gabinete do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
De acordo com as informações do jornal, as acusações dizem respeito a uma divisão da legião estrangeira que conta com cerca de 500 combatentes, um terço do total.
Uma dúzia de combatentes e ex-combatentes entrevistados pelo jornal denunciaram que os seus superiores os enviaram em várias ocasiões sem preparação para para missões arriscadas, de natureza quase suicida.
Por exemplo, um soldado norte-americano contou que, em certa ocasião, a sua brigada foi abandonada sem reforços e sob fogo inimigo perto de Mykolaiv (sul), com instruções para manter a posição.
Um dos seus companheiros foi morto e outros três ficaram feridos, mas, apesar disso, pouco depois outro grupo da mesma unidade recebeu ordens para defender a mesma posição, embora os voluntários tenham avisado os seus comandantes que os russos a haviam descoberto, o que levou a mais quatro mortes.
Além disso, os entrevistados denunciaram que um dos chefes da unidade é cidadão da Polónia, ex-integrante de uma organização criminosa, conhecido como Sasha Kuchynsky, e procurado na Polónia por fraude.
Entre os abusos de poder imputados ao cidadão polaco estão: dar ordens para saquear, ameaçar os seus subordinados com armas e assediar sexualmente integrantes da unidade.
De acordo com The Kyiv Independent, não é claro como este indivíduo, que foi investigado na Ucrânia por agressão armada e abuso sexual e preso noutra ocasião por posse ilegal de armas, conseguiu obter um cargo executivo no Exército.
Os voluntários entrevistados afirmam que também presenciaram "movimentos suspeitos de armas" e que parte dos equipamentos e munições que chegaram à frente de batalha não foram distribuídos aos combatentes, mas foram retidos por Kuchynsky.
A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 12 milhões de pessoas das suas casas - mais de seis milhões de deslocados internos e mais de seis milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
A invasão russa - justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que está a responder com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca à energia e ao desporto.
LUSA