Brexit: Partido Trabalhista disposto a negociar “soluções práticas com UE

LUSA

Um governo do Partido Trabalhista está disposto a negociar "soluções práticas” para resolver as divergências entre o Reino Unido e a União Europeia (UE) pós-Brexit na Irlanda do Norte, afirmou hoje o ministro sombra dos Negócios Estrangeiros, David Lammy.

O deputado do principal partido da oposição culpou o governo Conservador de Boris Johnson "pelos seus fracassos no acordo do Brexit que negociou”, mas acredita que ainda é possível encontrar soluções.

“Se for governo, o ‘Labour’ procurará soluções práticas para reduzir quaisquer controlos a um mínimo absoluto, negociando de boa fé. Devemos procurar um acordo sobre normas alimentares e agrícolas que pudesse facilitar drasticamente os controlos entre a Grã-Bretanha e a Irlanda do Norte”, defendeu.

O ministro sombra falava no encerramento da Conferência "The World Beyond Brexit" (O Mundo para Além de Brexit), organizada pelo centro de estudos UK in a Changing Europe, evento que marcou o sexto aniversário do referendo.

Em 2016, um total 51,9% dos eleitores britânicos votaram a saída britânica da UE numa consulta popular com uma taxa de participação foi de 72,2%, mas o ‘Brexit’ só entrou em prática em 01 de janeiro de 2021 com a entrada em vigor do novo Acordo de Comércio e Cooperação.

Lammy disse ser favorável a um acordo de partilha de dados comerciais em tempo real para facilitar a circulação de mercadorias e a um sistema em que os bens que entram na Irlanda do Norte provenientes do Reino Unido devem ser tratados de acordo com os seus destinos final, algo semelhante ao que o atual executivo propôs.

“Em negociação com base na boa fé, pode ser viável para o Reino Unido e a UE chegarem a acordo sobre uma designação de mercadorias aprovada na Irlanda do Norte que possa isentar os produtos” de controlos aduaneiros, acredita.

O deputado defende que tanto a União Europeia como o Reino Unido terão de fazer cedências, vincando que “a União Europeia também tem de ser menos rígida".

Lammy acredita que, "com uma mudança de primeiro-ministro e uma mudança de governo, o Reino Unido poderia construir uma relação estável e mutuamente benéfica com a União Europeia a longo prazo".

Porém, excluiu a hipótese de o Partido Trabalhista fazer campanha para aderir de novo ao mercado único ou à união aduaneira, mas quer acordos em áreas como os transportes, dados, ciência e artes.

Um governo ‘Labour' procuraria também entendimentos no setor agro-alimentar para melhorar o fluxo de produtos alimentares, a equivalência regulamentar para os serviços financeiros e obter o reconhecimento mútuo das qualificações profissionais, disse.

"O Partido Trabalhista está determinado a ultrapassar o Brexit para governar em nome dos que votaram para sair [da UE], dos que votaram para ficar, dos que mudaram de ideias e dos que são indiferentes. Não penso que seja útil voltar atrás. Estamos onde estamos”, enfatizou.