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Banco Mundial prevê desaceleração do crescimento económico na África subsaariana

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Data de publicação
13 Abril 2022
15:42

O Banco Mundial prevê uma desaceleração do crescimento económico na África subsaariana para 2022, onde muitos países ainda estão a recuperar do choque da covid-19 e enfrentam agora as consequências da guerra na Ucrânia.

Num relatório semestral sobre as perspetivas macroeconómicas do continente publicado hoje, a instituição prevê um "crescimento de 3,6% para 2022, abaixo dos 4% registados em 2021".

"Esta desaceleração faz parte de um contexto regional marcado pela persistência de novas variantes de covid-19, inflação global, rutura das cadeias de suprimentos e choques climáticos. A alta dos preços mundiais das ‘commodities’ [bens essenciais], que acelerou desde o início do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, soma-se aos demais desafios económicos da região", explica-se no documento.

"Os maiores exportadores de alimentos do mundo, a Rússia - que também é o maior exportador mundial de fertilizantes - e a Ucrânia, respondem por uma parcela significativa das importações de trigo, milho e óleo de semente, e o fornecimento destes poderá ser interrompido no caso de o conflito continuar", especifica o Banco Mundial.

O aumento dos preços do petróleo, gás e alimentos básicos provavelmente afetará particularmente as populações mais pobres das áreas urbanas, alerta.

Segundo a instituição, o impacto mais importante do conflito "poderia ser uma maior probabilidade de agitação civil que resultaria do aumento dos preços dos alimentos e da energia, num contexto de crescente instabilidade política".

À medida que enfrentam "margens fiscais limitadas, os formuladores de políticas devem procurar opções inovadoras, como reduzir ou remover temporariamente as taxas de importação sobre alimentos básicos, para ajudar os seus concidadãos", defendeu Albert Zeufack, economista-chefe do Banco Mundial para África.

No relatório também se sublinha que a recuperação económica pós-pandemia é desigual naquela região africana.

Assim, a recuperação permanecerá "lenta" nas três maiores economias do continente, Angola, Nigéria e África do Sul.

Se os dois primeiros mencionados poderão beneficiar do aumento dos preços do petróleo, a África do Sul ainda enfrenta problemas estruturais, em particular a falta de energia elétrica.

"Países ricos em recursos, especialmente no setor extrativo, terão melhor desempenho económico em função da guerra na Ucrânia, enquanto países sem recursos naturais abundantes sofrerão uma desaceleração", conclui o Banco Mundial.

Lusa

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