Em 2012, ninguém imaginaria que um espaço devoluto da Zona Velha do Funchal se tornaria um dos focos mais inquietos da criação artística. O que começou como resposta prática à falta de uma sala para apresentar uma peça de teatro acabaria por dar origem a um laboratório cultural que marcou o centro histórico funchalense e uma geração de artistas. Assim nasceu o Espaço 116.
Entre toneladas de cartão, areia, objetos arrastados pelo tempo e pelas intempéries, um grupo de artistas decidiu fazer do risco método e da precariedade linguagem. O que começou como solução improvisada para apresentar uma peça de teatro, no número 116 da Rua de Santa Maria, transformou-se num dos projetos culturais mais singulares da última década.
“Diria que é uma força vital inesperada. Uma energia potente, orgânica, que nasceu quase sem cálculo e cuja dimensão ultrapassou, desde cedo, qualquer previsão inicial”, afirma ao JM a artista plástica Fátima Spínola, que deu corpo ao laboratório pioneiro juntamente com Xavier Miguel (do Teatro Bolo do Caco), Jose Zyberchema (impulsionador do projeto ‘artE de pORtas abertas’) e Jorge Ribeiro de Castro (escritor e dinamizador do projeto ‘Bem, a Poesia...’).