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Bispo desafia fiéis a “ver mais longe”, porque “a morte não tem a última palavra”

Paula Abreu

Jornalista

Data de publicação
05 Abril 2026
11:47

Na celebração solene do Domingo de Páscoa, na Sé do Funchal, o bispo D. Nuno Brás centrou a sua homilia no núcleo da fé cristã, com a ressurreição de Cristo como acontecimento histórico e experiência transformadora.

Num templo lotado, e depois da procissão da Ressurreição que saiu da Sé, percorreu a Avenida Arriaga, até à estátua de D. Gonçalves Zarco, e regressou à Catedral, o bispo da Diocese do Funchal resumiu o relato evangélico da ida de Maria Madalena ao sepulcro, ainda antes do amanhecer. Sublinhou a força desse testemunho inicial, comum às várias tradições, que converge num dado essencial: o túmulo vazio.

Segundo o bispo, o cenário encontrado - a pedra removida, as ligaduras e o sudário arrumados - afasta a explicação imediata de um simples roubo do corpo. Ainda assim, reconheceu que essa foi a primeira reação dos discípulos, uma resposta “lógica, humana e conveniente”, que evitava o salto exigente da fé. Essa interpretação, notou, prolonga-se até aos dias de hoje, sempre que se recusa ir além da evidência material.

D. Nuno Brás destacou então a figura do discípulo João, que, perante o mesmo sinal, “viu e acreditou”. Para o bispo, é o amor que permite ultrapassar os limites da razão estrita e abrir-se ao mistério. A fé na ressurreição, explicou, não surge do nada: apoia-se nas palavras anteriormente anunciadas por Jesus e na tradição das Escrituras, que apontam para a vitória de Deus sobre a morte.

A homilia evocou ainda os testemunhos das aparições do Ressuscitado, desde Maria Madalena até aos apóstolos e a centenas de discípulos, como recorda São Paulo. Esses encontros consolidam a certeza de que não se trata de uma ideia simbólica, mas de um acontecimento vivido e transmitido.

Concluindo, o bispo desafiou os fiéis a deixarem-se iluminar por esta certeza pascal. Tal como João, disse, também hoje é possível “ver mais longe”, acolhendo a alegria que nasce da convicção de que a morte não tem a última palavra. “Cristo venceu a morte para sempre”, afirmou, convidando à esperança e à renovação da vida. “Deixemos que, tal como sucedeu com o discípulo amado, a certeza da ressurreição inunde a nossa vida, nos permita olhar mais longe que os estreitos limites dos sentidos físicos, e nos encha da alegria que não tem fim: Cristo venceu a morte para sempre. Aleluia!”

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