Durante as férias da Páscoa de 2019, ao longo de 12 dias, uma cria de lobo-marinho transformou o quotidiano do Porto Santo. Passaram sete anos e, segundo o IFCN, o animal nunca mais foi visto.
Tinha apenas seis meses. Nascida nas Ilhas Desertas em novembro do ano anterior, a jovem fêmea surgiu na chamada ilha dourada magra e exausta, à procura de repouso após uma viagem que os técnicos especialistas admitem ter sido longa. Durante cerca de 12 dias, encontrou no areal um abrigo improvável. Dele foi protagonista e nele recuperou.
Durante esse período, repetiu um ritual que rapidamente se tornou familiar. Descansava ao sol, indiferente à crescente curiosidade em seu redor, e ao cair da noite regressava ao mar, onde se alimentaria. No dia seguinte, voltava. Um comportamento considerado normal nesta fase da vida, quando os juvenis terminam a amamentação e começam a explorar novos territórios de forma solitária.
A população habituou-se à sua presença como quem reconhece um visitante raro, quase sagrado. Havia quem passasse por ali todos os dias, não só para ver, mas para confirmar que ali continuava. À distância do Porto Santo, havia milhares a aguardar, diariamente, a notícia de que a pequena fêmea regressaria mais uma vez ao areal.
Mais tarde, a história ganharia nome: Profeta. Não apenas nas notícias da altura, mas também na memória e na ficção que delas nasceu. A cria transformou-se em símbolo de uma visita inesperada da natureza.
A 22 de abril, desapareceu. Volvidos quase sete anos, não voltou a ser observada no Porto Santo. E, desde então, ficou a pergunta: para onde foi?
Leia o artigo da rubrica ‘Lembra-se?’ na edição impressa desta segunda-feira do JM.