O Dia Mundial da Saúde e faz-nos sem dúvida refletir. O nosso sistema de saúde está muito focado na doença. Na realidade, somos ensinados a procurar ajuda apenas quando algo “avaria”, ignorando o poder da prevenção. A verdadeira saúde não se compra na farmácia depois de um diagnóstico: ela cultiva-se todos os dias, nas pequenas decisões que tomamos antes de ficarmos doentes. É uma obra contínua, tijolo a tijolo, refeição a refeição.
E no dia a dia, muitas vezes é o “Perdido por Cem, Perdido por Mil”. Mal saímos das festas de Natal, entramos no Carnaval e, logo a seguir, chega a Páscoa com as suas amêndoas e doces tradicionais. Para muita gente, este ciclo cria uma mentalidade perigosa: “Já que estraguei tudo ontem, mais vale continuar a comer mal até segunda-feira”.
Este é o pensamento que mais nos adoece. O nosso corpo tem uma capacidade incrível de lidar com um excesso pontual, mas o que ele não aguenta é a inflamação constante. Quando desistimos de cuidar de nós só porque “já falhámos”, estamos a dar luz verde para que o cansaço, o inchaço e a toxicidade se instalem de forma permanente. O segredo da longevidade não é ser perfeito, mas sim saber voltar ao caminho certo logo na refeição seguinte, sem culpas, mas com responsabilidade.
E será que desintoxicar é um mito? Muitos dizem que o “detox” é uma invenção da moda porque o fígado e os rins já fazem esse trabalho sozinhos. E não é mentira. Mas o problema é que o mundo mudou drasticamente. Hoje, respiramos poluição e ingerimos microplásticos e químicos que não existiam há cem anos. Os nossos filtros naturais estão a trabalhar em “horas extra” e muitas vezes não conseguem dar conta do recado. Dar uma ajuda ao nosso sistema de limpeza orgânica não é uma tendência passageira, é uma necessidade de sobrevivência para quem vive no mundo moderno.
Podemos ajudar o corpo a desintoxicar sem ser caro ou complicado, com alguns rituais no nosso dia a dia:
• Raspar a língua e lavar os dentes logo que acorda: Durante a noite o corpo tenta expulsar toxinas, muitas através da língua. Com este ritual impede-se que as impurezas não sejam reabsorvidas. Beber um copo de água morna logo a seguir hidrata o corpo, avisando o sistema digestivo que é hora de começar a trabalhar.
• Eliminar químicos invisíveis: Usar um pouco de bicarbonato de sódio ajuda a remover os pesticidas da casca. No caso do arroz, lavá-lo muito bem antes de cozinhar é essencial para reduzir o arsénio, um metal pesado que se acumula neste cereal.
• Reduzir temperatura de cozedura: Hoje em dia, usamos muito o forno e a airfryer. Mas atenção: se a comida ficar com aquele aspeto queimado ou escuro, criam-se substâncias tóxicas cancerígenas – hidrocarbonetos. É importante tentar cozinhar abaixo dos 180°C.
• Diminuir metais na comida: O alumínio é um inimigo silencioso do nosso cérebro. Evitar cozinhar ou embrulhar alimentos quentes e ácidos (como tomate ou limão) em papel de alumínio é crucial. Preferir sempre o vidro, o inox ou a cerâmica para acondicionar ou cozinhar.
Cuidar do corpo e da forma como eliminamos as toxinas não é uma questão de vaidade ou moda. É, acima de tudo, um ato de amor pela vida. Só temos este corpo para fazer esta viagem pela Terra. Ele é a nossa única morada real, o veículo que nos permite abraçar quem amamos, trabalhar e realizar sonhos.
Para este Dia Mundial da Saúde, que se avizinha o convite é que olhemos mais pela nossa saúde ao invés de cuidar da doença. No final do dia, a saúde não é a ausência de doença, mas sim a presença de vida em cada uma das nossas células.
A prevenção é o gesto mais generoso que podemos ter connosco próprios. Cuidemos de nós! Valorizemos o nosso tempo na terra!
Carina Teixeira escreve à segunda-feira de 4 em 4 semanas.