O Partido Reagir Incluir Reciclar (RIR) considera que a reconversão do Hospital dos Marmeleiros numa Unidade Integrada de Retaguarda vem expor, de forma clara e incontornável, a incoerência e a falta de honestidade política que têm marcado o debate em torno da venda do Hospital Dr. Nélio Mendonça.
“O Governo Regional demonstra agora que é possível transformar uma unidade hospitalar numa resposta pública de retaguarda para situações de alta clínica e social, criando centenas de camas, articulando saúde e segurança social e garantindo continuidade de cuidados temporários. É exatamente este tipo de solução que foi rejeitado quando se falou do Hospital Dr. Nélio Mendonça, invocando-se então a inviabilidade técnica, os custos elevados e a suposta inadequação do edifício”, lê-se em comunicado de imprensa assinado por Liana Reis, Coordenadora Regional do RIR.
Para o RIR, “perante estes factos, torna-se evidente que o verdadeiro critério das decisões não é a resposta às necessidades sociais nem a defesa do interesse público, mas sim o valor financeiro e imobiliário dos edifícios. O hospital com maior potencial de venda e de encaixe financeiro é destinado à alienação; o que não representa negócio significativo é mantido para responder a problemas sociais que o próprio Governo reconhece como graves e estruturais.”
O RIR reafirma que o problema das chamadas “altas sociais” é real, persistente e amplamente conhecido. O que não é aceitável é que estas situações sejam usadas como argumento apenas quando convém, enquanto se opta por soluções que priorizam o dinheiro acima das pessoas. A dignidade das pessoas idosas e a sustentabilidade do sistema de saúde não podem ser subordinadas à lógica do mercado imobiliário.
Segundo o RIR, notícia avançada pelo JM “prova que existem soluções, modelos e enquadramento legal para criar respostas públicas de retaguarda. O que falta não é capacidade técnica — é vontade política para abdicar do encaixe financeiro em favor do interesse coletivo”.