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Artigo de Opinião

27/01/2026 08:00

Não passa pela cabeça de alguém, que seja vontade do Povo Soberano regressar a um caminho inverso ao da Democracia.

Também não passa pela cabeça de alguém que um voto ocasional na extrema-direita, significa um desejo de voltar à “Madeira Velha”.

Claro que quando o Povo Soberano quer alterações na Justiça, e estas não acontecem porque qualquer tentativa de mudança esbarrou numa Constituição inapta no conteúdo e no tempo, é evidente que tem de escolher entre continuar tudo na mesma, sem futuro que atraia, ou ser imprescindível rever a Constituição. Que o Primeiro-Ministro, de Sua cabeça, disse não ser prioritário.

O mesmo raciocínio se justifica quando se trata da situação a que a Saúde chegou em Portugal, quando se trata dos que trabalham, descontar para os que não querem trabalhar, quando se trata da burocratização dos Serviços Públicos, quando se trata da Segurança dos Cidadãos, quando se trata do caos potencial e frequente na Habitação e nos Transportes, quando se trata dos legítimos Direitos de Açorianos e Madeirenses, etc., etc., etc.

E a votação do Povo Soberano transforma-se em Voto de Protesto, recorrendo a um demagogo qualquer, porque poucos são os meios que Lhe restam para exprimir o Seu forte descontentamento. Mais a mais que a Oligarquia tomou conta da já errada Partidocracia e de importantes parcelas da “Informação”.

Tal como na Europa, a oligarquização dos Partidos políticos, logicamente que trouxe à direcção destes uma forte e obediente mediocratização, principalmente da “esquerda” moderada à “direita” moderada, passando pelo Centro.

Porque, o que se passou em Portugal não faz sentido.

É inadmissível que, na presente situação mundial e com o volume de problemas que se sente no País, tenha faltado o bom-senso e, sobretudo, a inteligência política para o Centro e a Direita moderada, com os resultados das últimas eleições nacionais marcados pelo crescimento da extrema-direita e pelo colapso de socialistas e comunistas, não terem encontrado uma solução consensual sólida para a estabilidade e o crescimento sustentado de um País a ter de ser reformado.

Resultado, um beco sem saída. De um lado, os socialistas que podem alcançar a Presidência da República dependendo dos votos comunistas - o que tem preço - cujos seus partidos já estavam remetidos à prateleira museológica, mas que, agora, se veem chamados ao palco graças à incompetência em Quem esta não se admite.

Do outro lado, uma extrema-direita que a nível nacional não cresceu, mas com esta é disputado o cargo de Presidente da República. E que acabará por atrair muitos dos que não aceitam os socialistas em Belém, muito menos quando acocorados à “misericórdia” dos “votos úteis” comunistas.

Em qualquer dos casos, conhecendo-se já as posições dos candidatos, quer no passado, quer agora, nomeadamente quanto à questão constitucional, qualquer Autonomista açoriano ou madeirense não deixará de ter razões para forte preocupação.

A preocupação legítima e civicamente obrigatória com o futuro da Autonomia Política dos nossos arquipélagos. O que quer dizer preocupação com o Desenvolvimento Integral autêntico, nosso e das nossas futuras gerações.

Que se entenda eu não estar a criticar a opção de voto de cada um, no passado dia 18.

Seria um atrevimento. Votar é a Consciência individual de decidir livremente. Como livre é a Opinião sobre factos.

Houve um voto de protesto, na Madeira. Não passa pela cabeça de alguém que tal represente saudades da “Madeira Velha” e das desgraças que, durante séculos, acarretou sobre o Povo Madeirense.

Protesto bem legítimo. O Sistema Político-Constitucional da República Portuguesa ainda não nos reconhece o grau de Autonomia Política a que temos Direito.

O “pacote laboral”, tal como apresentado, saldou-se um desastre. Seria outro o método e seriam outras as opções para a Reforma Laboral necessária e urgente.

As “novas” normas para a mobilidade aérea - estão “suspensas”, ou não?!... - são uma agressão colonial, como que a gozar connosco.

No meu Governo, pagava-se um pouco mais do que agora. Mas era tudo mais simples. Depois, porque seria “fino” mexer fosse no que fosse, são os episódios que se têm sucedido. Oh criaturas que têm as chaves das dependências do Rectângulo! Ou copiam o sistema espanhol, ou fazem como nos meus Governos, mas não subindo mais os preços!

E, finalmente, aquele estado a que se chegou, de os Madeirenses terem de se “inscrever” para calcorrearem partes do Seu território!

Admiram-se dos votos no “Chega”?!...

Ou vão na “conversa” de que é tudo um bando de “corruptos”, confundindo a árvore com a floresta, quando é do conhecimento de todos, poucas-vergonhas que aconteceram e acontecem lá pela extrema-direita?!...

Só vejo um remédio para o imbróglio em que a “política” lisboeta mais uma vez nos meteu.

Vamos aguardar, nestes dias insípidos, o que é que estes dois senhores, parafraseando o Dr. Alberto Araújo, “da nossa melhor sociedade”, têm para propôr ao Povo Madeirense.

Já sabem. Vir com “aprofundar” ou “aperfeiçoar” a Autonomia, é vigarice que já não pega. É apenas “deitar a bainha abaixo” numas calças velhas.

Queremos saber de “mais Autonomia”.

Sem revisão constitucional, como é possível?...

Mesmo o situacionismo conservador do Sistema Político, aceita nem que seja uma revisão constitucional cingida às Autonomias Políticas insulares?...

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