O mundo transforma-se. Uma afirmação curta, mas real. A natureza tem essa capacidade, de se adaptar, e com ela todo o mundo.
Os animais, a vegetação, os microrganismos, tudo se transforma, entra em mutação. Nós, humanos, é que somos arrogantes o suficiente para achar que tudo à nossa volta é que tem de se alterar como nós queremos. Que o nosso consumismo desenfreado, não irá trazer problemas, que o nosso conforto é o bem mais importante do mundo, mas o mundo em si transforma-se não em torno dele, mas apesar dele.
A espécie humana é algo recente na história do planeta, já existiram muitas antes dela e continuarão a existir muitas depois. O nosso ego muitas vezes não nos permite compreender isso, a arrogância inerente à condição humana acaba por ser trágica.
Ao longo dos tempos a história ensina-nos que se a mesma não é compreendida, tende em ser replicada, desde a decadência de impérios, à ascensão de falsos profetas. Aliados que deixam de existir, e que tornam o mundo cada vez mais individualista e instrumentalizado para o acentuar de diferenças latentes entre os povos que compõem este mundo.
As maiores catástrofes humanitárias são causadas pelo homem, e nem o próprio tem a decência de estudar as causas disso para tentar evitá-las.
Nós europeus encontramo-nos numa encruzilhada, o nosso maior aliado, tornou-se o nosso maior inimigo, e estranhamente já vimos algo semelhante no passado, naquele que está escrito na história que não estudamos e que não estamos preocupados em não repeti-la.
Discursos populistas presentes no dia a dia, figura de culto ao ponto de ser comparada com deus, ataques contínuos à imprensa, e à liberdade da mesma, nacionalismo como arma de arremesso, criação de um inimigo e discurso que pouco se importa com os factos, repetindo até à exaustão mentiras. O padrão é o mesmo, usado em todo mundo. O nome das figuras muda, mas a filosofia é mesma. Canalizada através de multi-milionários, que procuram sempre mais, poder, dinheiro, e o resto não importa.
O fim da ordem internacional como nós conhecemos está a chegar. Mark Carney, primeiro-ministro canadiano, referiu isso num discurso amplamente aplaudido na cimeira de Davos. Este será o discurso mais marcante do ano, e quem sabe, deste período da história. Nele Carney, refere que as “médias potências” mundiais, Canadá, Austrália, Europa, devem de juntar-se, alertou para uns Estados Unidos da América mais afastados das ideias que sempre se regularam, e que como em tudo a geopolítica mundial está em transformação. O discurso em si, é aplaudido pela coragem de chamar a atenção dos poderosos, a antiga ordem mundial.
A humanidade continua a escalar para uma instabilidade que já não se assistia desde os tempos da guerra fria, com a possibilidade de um conflito armado ao virar da esquina.
O ser humano é de facto um animal curioso, é o único que procura a sua própria extinção, ao mesmo tempo que tenta adiar a mesma, mas o mundo continua a transformar-se e a natureza a adaptar-se de forma a não dar pela nossa falta.