O antigo deputado da Assembleia Legislativa da Madeira Agostinho Gouveia afirmou que a falta de plena capacidade de decisão das Regiões Autónomas pode ser comparada à situação de “uma pessoa maior de idade que ainda vive em casa dos pais”, mas sem poder decidir o que é melhor para si.
Na intervenção realizada a partir da plateia durante a quarta sessão do Parlamento na Comunidade, no auditório do MUDAS – Museu de Arte Contemporânea da Madeira, o antigo parlamentar procurou explicar aos mais jovens o significado e os limites da Autonomia regional.
Segundo referiu, a Autonomia deve traduzir-se numa verdadeira capacidade de decisão, defendendo que não basta existir formalmente se as Regiões não puderem definir plenamente o seu próprio caminho.
Agostinho Gouveia sublinhou também a importância da estabilidade governativa para o desenvolvimento regional, considerando que grandes projetos exigem continuidade e planeamento a longo prazo.
Nesse sentido, destacou a relevância dos planos plurianuais, observando que dificilmente uma grande obra pode ser concretizada num curto espaço de tempo.
O antigo deputado criticou ainda a demora em decisões estruturantes a nível nacional, afirmando que “andamos há 50 anos para decidir onde vamos fazer um aeroporto”, situação que considerou incompreensível.
Por outro lado, defendeu que foi através da Autonomia que a Madeira conseguiu concretizar infraestruturas estruturantes como o aeroporto, exemplo que apontou como demonstrativo da capacidade de decisão regional.