A antiga deputada do PSD à Assembleia Legislativa da Madeira, Elisabete Nunes, deixou hoje um alerta dirigido aos jovens para que defendam a autonomia e impeçam “retrocessos” democráticos, considerando que o “mundo está muito perigoso”.
Na intervenção proferida no âmbito da 6.ª edição do Parlamento na Comunidade, que decorre no Centro Cultural John dos Passos, na Ponta do Sol, a antiga parlamentar recordou as dificuldades vividas antes do 25 de Abril e os primeiros anos da autonomia regional.
“Está na juventude a defesa da autonomia, que não é um dado adquirido. Temos de estar sempre em luta”, afirmou, dirigindo-se às dezenas de alunos presentes na sessão.
Elisabete Nunes considerou que os mais novos “já nem dão valor ao que têm”, defendendo a necessidade de esclarecer os jovens sobre as conquistas alcançadas após a revolução de 1974 e a criação da autonomia política da Madeira.
“Tiveram mais facilidades e não deixem que isso acabe. Lutem”, apelou.
Ao longo da intervenção, a antiga deputada evocou as dificuldades vividas no concelho antes da autonomia, lembrando a falta de água, de eletricidade e de acessos em várias zonas da Ponta do Sol.
“As estradas eram uma desgraça, havia casas sem acessos”, recordou, descrevendo um tempo em que muitas obras eram feitas “por iniciativa própria” e com ajuda voluntária da população.
A antiga parlamentar recordou ainda o processo autonómico após o 25 de Abril e a entrada de Portugal na então CEE, apontando que os fundos europeus permitiram acelerar o desenvolvimento da Região.
Durante o discurso, deixou também um apelo à promoção de debates sobre autonomia junto das freguesias e da juventude, defendendo jovens “mais esclarecidos” e preparados para assumir cargos públicos no futuro.
Já numa nota mais descontraída, Elisabete Nunes pediu ainda que os secretários visitem mais a Ponta do Sol, algo que, no seu tempo, Alberto João Jardim “obrigava” a fazer.