A Comissão para a Comemoração dos 50 Anos do 25 de Abril na Madeira promove, no sábado, “uma concentração/manifestação/festa da Liberdade”, com início pelas 15 horas, no Largo do Município, seguindo depois em marcha até à Assembleia Legislativa regional, onde decorrerão intervenções e momentos culturais.
A escolha do local para o ponto de partida remete para a mobilização popular de 1 de Maio de 1974, considerada um marco de adesão ao espírito da revolução, explicou o responsável.
Entre as iniciativas previstas no dia da Revolução dos Cravos, destaca-se ainda a publicação do livro “Da Madeira, Vozes do 25 de Abril, Testemunhos, Memórias e Reflexões”, que reúne cerca de 80 contributos e aguarda apresentação oficial.
Henrique Sampaio começou por traçar uma resenha histórica dos momentos mais marcantes para a democracia portuguesa. Este ano, Portugal assinala simultaneamente os 52 anos da Revolução de Abril e meio século sobre um conjunto de conquistas estruturantes da democracia: a Constituição da República, as autonomias regionais e as primeiras eleições livres para os principais órgãos de soberania e poder local.
O peso simbólico de 2026 é, assim, um momento de reafirmação da memória coletiva e dos valores democráticos. “Há um antes e um depois do 25 de Abril de 1974”, afirma a Comissão, caracterizando a data como “a mãe de todas as datas”, pela rutura que representou com o regime autoritário e pela abertura a direitos políticos, sociais, económicos e culturais.
A Comissão para a Comemoração dos 50 Anos do 25 de Abril na Madeira alerta, contudo, para o contexto atual, que considera “sombrio”, marcado pela ascensão de movimentos populistas de extrema-direita em vários pontos do mundo. Nesse cenário, defende, torna-se ainda mais urgente recordar o passado e consolidar os alicerces democráticos. A democracia e a autonomia, acrescenta, são “obras inacabadas” que exigem participação cívica contínua e um compromisso coletivo com a sua defesa e aprofundamento.