O grupo parlamentar do Partido Socialista vai dar entrada, na Assembleia Legislativa da Madeira, de um projeto de resolução com vista à realização de um estudo epidemiológico sobre a perturbação do espetro do autismo na Região.
Na base desta iniciativa, está a necessidade de reforçar o conhecimento rigoroso desta realidade na Madeira e apoiar o planeamento de respostas públicas mais eficazes. Como explica a deputada Sancha de Campanella, “na Região, há uma discrepância significativa entre os casos identificados pelas associações que apoiam e trabalham nesta área, que indicam cerca de 200, e as estimativas, que apontam para um universo potencial superior a 2.000 pessoas, situação que, por si só, torna premente a realização de um estudo epidemiológico regional atualizado e de base populacional que permita conhecer com precisão a dimensão do autismo”.
Conforme aponta a parlamentar socialista, “os dados da Organização Mundial de Saúde referentes a 2021 estimavam que cerca de uma em cada 127 pessoas estivesse no espetro do autismo e salientavam igualmente a variabilidade das estimativas entre estudos e contextos, o que revela a dimensão e relevância desta realidade. Já em Portugal, as estimativas apontam para cerca de uma em cada 100 crianças nesta condição, o que revela a dimensão deste fenómeno em termos de saúde pública. Ainda assim, o país continua sem dados sistemáticos, atualizados e integrados que permitam uma caracterização rigorosa da prevalência e das necessidades associadas”.
Na ótica do PS, “as discrepâncias verificadas evidenciam um problema estrutural de subdiagnóstico, subidentificação e invisibilidade estatística, com consequências diretas na capacidade de resposta dos serviços públicos e na definição de políticas eficazes, razão pela qual é imperativo avançar com o referido estudo na Região”.
“Não conhecer plenamente esta realidade é, em si mesmo, um fator de exclusão. A ausência de dados, de planeamento e de respostas estruturadas compromete a inclusão e perpetua desigualdades que não podem ser ignoradas”, afirma a deputada, considerando que “transformar o reconhecimento em ação e garantir uma resposta pública à altura das necessidades existentes deve constituir uma prioridade política”.
Como refere Sancha de Campanella, “a consciencialização para a perturbação do espetro do autismo deve ser acompanhada por maiores cuidados, recursos e capacidade de intervenção, garantindo uma melhoria efetiva do diagnóstico e da intervenção precoce, o reforço das respostas especializadas, uma articulação eficaz entre os setores da saúde, educação e área social, bem como um apoio real e continuado às famílias”.
Além disso, os socialistas defendem “o reforço dos meios humanos e técnicos disponíveis, de forma a assegurar respostas atempadas, integradas e adequadas às necessidades das pessoas com autismo, desde a infância até à vida adulta”.
Numa altura em que se assinala o Mês da Consciencialização do Autismo (abril), o Grupo Parlamentar do PS aproveitou para apresentar na Assembleia Legislativa um voto de louvor dirigido aos pais, famílias, profissionais e associações que asseguram, diariamente, o apoio, a inclusão e a dignidade das pessoas com perturbação do espetro do autismo na Região.