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Artigo de Opinião

Antropóloga / Investigadora

20/04/2026 03:45

Todos os anos, quando se aproxima o 25 de Abril, sinto necessidade de voltar a escrever sobre esta data. Faço-o com vontade, orgulho e sorriso nos lábios. Faço-o porque acredito que há momentos da nossa História que nunca devem cair no esquecimento. Faço-o porque reconheço a importância de todos aqueles que contribuíram para que hoje vivamos em liberdade!

Sim, sou de outros tempos. Não vivi o 25 de Abril de 1974. Não ouvi os relatos em direto, não senti a tensão das ruas, não conheci, por experiência própria, o medo, a censura ou as limitações de uma época fechada e atrasada. Nem consigo imaginar plenamente como seria viver num tempo em que falar livremente podia ter consequências, em que escolher era um privilégio e não um direito!

Mas não é preciso ter vivido esse tempo para compreender o valor da mudança.

Tenho orgulho em todos os que tiveram coragem para mudar o rumo do país. Tenho orgulho em quem acreditou que era possível viver melhor, com mais dignidade, justiça e liberdade. E tenho orgulho em saber que dessa transformação também nasceu um novo caminho para a Madeira.

Nesse período de transição, após o 25 de Abril, figuras do anterior regime como Américo Tomás e Marcelo Caetano foram encaminhadas para a Madeira, mais propriamente para o Palácio de São Lourenço, o que gerou um profundo sentimento de revolta e mau estar no povo. Houve quem sentisse essa decisão como uma forma de desvalorização da Madeira, foi esse mau estar que contribuiu, de certa forma, a alimentar a consciência política e cívica de um povo que queria ser ouvido e respeitado. Foi aí que veio o grande 1.º de Maio e a famosa expressão “Não somos o caixote do lixo!”

Aliás, atrevo-me a dizer que para a nossa Região, o 25 de Abril foi vivido de forma muito intensa na grande manifestação do 1.º de Maio. Uma manifestação que, à época, gerou incerteza: ninguém sabia ao certo se o povo iria aderir em massa. Mas o povo veio. Veio para as ruas. Veio afirmar a sua voz. Veio mostrar que a mudança também era sentida aqui, na Madeira, com força e determinação.

Este dia significou muito mais do que uma mudança política nacional. Representou esperança. Representou oportunidade. Representou a possibilidade de a Madeira afirmar a sua voz, defender os seus interesses e construir o seu futuro com maior proximidade às pessoas.

Depois de Abril chegou a Autonomia. E com ela vieram decisões tomadas mais perto da realidade insular, investimentos estruturantes, melhores acessibilidades, crescimento económico e social, e uma capacidade acrescida de responder às necessidades dos madeirenses e porto-santenses.

Claro que ainda existem desafios. Sempre existirão. Mas basta olhar para trás para perceber o quanto se avançou. Basta comparar a Madeira de ontem com a Madeira de hoje para entender a importância das conquistas alcançadas ao longo destas décadas.

Em vésperas de comemoração de mais um ano de abril, faço questão de escrever novamente sobre esta época. Porque a liberdade não pode ser banalizada. Porque a democracia não se pode tomar como garantida. Porque a autonomia também deve ser valorizada e defendida com responsabilidade.

Escrevo porque respeito quem veio antes de nós. Escrevo porque reconheço o sacrifício de muitos. Escrevo porque as novas gerações também têm o dever de lembrar, agradecer e continuar a construir.

O 25 de Abril não pertence apenas a quem o viveu. Pertence também a quem honra o seu legado.

Alexandra Nepomuceno escreve à segunda-feira de 4 em 4 semanas.

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