Iniciativa da SPEA regressa à Madeira e aos Açores para monitorizar a águia-de-asa-redonda. Voluntários são desafiados a participar na 20.ª edição do Censo de Mantas. A estimativa populacional aponta para cerca de 188 mantas na Madeira.
O Censo de Mantas está de regresso no fim de semana de 21 e 22 de março, numa edição especial que assinala a 20.ª edição desta iniciativa da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA/BirdLife), realizada anualmente desde 2006.
O objetivo mantém-se e passa por monitorizar as populações desta ave de rapina e aprofundar o conhecimento sobre a sua distribuição na Madeira.
O censo decorre em simultâneo na Madeira e nos Açores, permitindo acompanhar as duas subespécies de águia-de-asa-redonda que ocorrem exclusivamente nestes arquipélagos: a manta (Buteo buteo harterti), na Madeira, e o milhafre (Buteo buteo rothschildi), nos Açores.
Durante o fim de semana, equipas de voluntários irão realizar percursos a pé, de bicicleta ou de carro, recolhendo dados essenciais para acompanhar a população da manta, subespécie residente que ocorre exclusivamente na Madeira.
“A manta é, na prática, um vigilante do território: patrulha campos, florestas e zonas agrícolas, mantendo sob controlo presas como roedores e ajudando a equilibrar o ecossistema. Por ser uma espécie residente e dependente do que o território lhe oferece, também fornece indicadores importantes sobre o estado do ambiente. Infelizmente, enfrenta ameaças persistentes, como a alteração do habitat, o envenenamento e a eletrocussão em infraestruturas elétricas, além de atropelamentos. É por isso que cada observação dos voluntários conta para proteger esta rapina única do arquipélago”, afirma Cátia Gouveia, coordenadora da SPEA Madeira.
Com base nos resultados mais recentes, a estimativa populacional aponta para cerca de 188 mantas na Madeira. Ao longo das várias edições do censo, as estimativas têm revelado oscilações anuais, o que reforça a importância de manter a monitorização e assegurar um esforço consistente de percursos em toda a ilha.
“Quanto mais voluntários tivermos e mais percursos forem realizados, maior será a precisão das estimativas e melhor conseguiremos perceber se estamos perante tendências reais ou variações pontuais. Cada percurso conta”, sublinha Ana Mendonça, coordenadora do Censo nos Açores.
A participação é aberta a qualquer pessoa, com ou sem experiência prévia, incluindo entusiastas da natureza, famílias, investigadores e cidadãos interessados em contribuir para a conservação da biodiversidade.
A atividade pode ser realizada individualmente ou em grupo, promovendo a observação da natureza e a ciência cidadã.A SPEA apela à inscrição de voluntários, que pode ser efetuada através de formulário próprio disponível no site oficial da organização.