No âmbito das comemorações da Revolução dos Cravos, Célia Pessegueiro, líder do PS-M, destacou a importância de promover uma reflexão profunda sobre a democracia, a autonomia regional e os desafios atuais da Madeira, sublinhando a necessidade de reforçar a descentralização do poder e o pluralismo político.
A responsável falava a propósito da conferência integrada nas celebrações de Abril, que conta com a participação de figuras como João Soares e Duarte Caldeira, ambos com percurso político relevante desde os primeiros anos da autonomia regional. Segundo Célia Pessegueiro, o objetivo passa por revisitar o espírito de Abril, valorizando a liberdade, a diversidade de opiniões e o escrutínio político.
“Comemorar Abril é também discutir os problemas atuais”, afirmou, apontando críticas à atuação governativa na região, nomeadamente no que toca à mobilidade dos madeirenses e à prioridade atribuída ao turismo em detrimento das necessidades da população local. A responsável recordou que o Partido Socialista tentou travar medidas que considerou prejudiciais para os cidadãos da região.
Entre os desafios identificados, destacou ainda fragilidades ao nível dos transportes públicos fora do Funchal, alertando para desigualdades persistentes dentro da própria região. Para a socialista, falar de Abril implica precisamente abrir espaço à crítica fundamentada e à análise rigorosa das políticas públicas.
Questionada sobre a ausência de alternância democrática na Madeira, onde o mesmo partido governa há décadas, a responsável apontou múltiplos fatores, incluindo dinâmicas de controlo político e social. Citando reflexões de João Soares, referiu um progressivo “silenciamento” e perda do caráter reivindicativo da sociedade madeirense ao longo do tempo.
Apesar disso, afastou a ideia de que o momento atual seja o mais adequado para discutir a reorganização interna do Partido Socialista, preferindo enquadrar essa reflexão num conjunto mais amplo de iniciativas previstas para este ano.
A líder dos socialistas da Madeira destacou ainda o papel histórico do PS na consolidação da democracia portuguesa, nomeadamente na Constituição de 1976 e na criação das regiões autónomas. No entanto, lamentou a falta de avanços na regionalização do país nas últimas décadas, considerando que essa reforma poderia contribuir para uma maior coesão territorial.
“Estes 50 anos exigem-nos agora uma mudança”, concluiu, defendendo a necessidade de renovar a ação política e responder de forma mais eficaz aos desafios da região.