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Morreu sociólogo e filósofo Edgar Morin, promotor da epistemologia humana

Data de publicação
30 Maio 2026
10:06

O sociólogo francês Edgar Morin morreu na sexta-feira, aos 104 anos, anunciou hoje a viúva do também filósofo judeu laico de esquerda, defensor da causa palestina e da epistemologia como ciência global da humanidade.

“Até aos seus últimos dias, Edgar Morin manteve-se atento ao mundo, aos outros e aos grandes desafios humanos que alimentaram o seu pensamento”, referiu a mulher, Sabah Abouessalam Morin, num comunicado citado pela agência de notícias francesa AFP.

O seu trabalho procurou sempre a reflexão sobre o ser humano a partir de dados científicos, promovendo a epistemologia como a verdadeira ciência global da humanidade.

Apresentando-se como um “caçador de conhecimento”, recusou sempre a fragmentação do saber, em favor de uma visão cultural e científica multidisciplinar, a fim de enfrentar aquilo que classificava como a “complexidade do real”.

Era considerado por muitos dos seus pares como um “pensador planetário”, que procurou, através do conceito de “pensamento complexo”, conectar o que na “perceção habitual não está ligado”.

Edgar Morin considerava que quanto mais graves eram os riscos de crise, maiores eram as hipóteses de encontrar soluções e apresentava-se como um “optipessimista”, explicando: “tenho esperança num contexto de desesperança”.

Nascido filho único a 8 de julho de 1921 em Paris, numa família judia originária de Salónica, na Grécia, Edgar Nahoum aderiu em 1941 ao Partido Comunista e integrou a Resistência sob o pseudónimo de Morin, apelido que passou a usar como autor.

Entrou em rutura com o comunismo em 1959, tendo escrito a obra “Autocrítica”, muito dura para o partido francês, as intervenções soviéticas e os erros políticos.

Precursor da “sociologia do presente”, interessou-se por fenómenos pouco estudados pela sociologia como o cinema, novas tecnologias ou desporto.

No quinto volume da sua obra-prima, “O Método”, escreve: “Quanto mais conhecemos o ser humano, menos o compreendemos. As dissociações entre disciplinas fragmentam-no, esvaziam-no de vida, de carne, de complexidade e certas ciências consideradas humanas esvaziam mesmo a noção de homem”.

Em declarações anteriores à Lusa, numa das suas visitas a Portugal, Morin defendeu a riqueza da multiculturalidade, incluindo de uma lusofonia variada e extensa.

Portugal é “um país extraordinário, que é atlântico e mediterrâneo ao mesmo tempo, ibérico e com ligação ao resto do planeta, com uma vitalidade e convivialidade e cordialidade extraordinária”, afirmou.

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