Medo de fracassar

De uma forma mais ou menos percebida, todos temos receio de fracassar, todos temos receio de não corresponder às próprias expectativas ou às expectativas de terceiros, do ambiente ou contexto onde nos inserimos e onde fazemos a caminhada da nossa vida.

Mas o que são afinal os fracassos? São projetos que não têm o fim por nós idealizado? São situações que não ocorrem como queríamos? Na minha opinião, um fracasso acontece quando nos propomos a fazer algo que não corre como queríamos e não aprendemos nada com isso. O facto de não retirarmos nenhuma aprendizagem dos erros, isso sim, considero um fracasso. Se aprendermos algo já é um avanço, uma evolução, não um fracasso.

Muitas vezes acontece de se dizer quer às crianças, adolescentes e mesmo aos adultos: “tu és um fracasso, não vales nada!”, quer a nível académico, profissional e mesmo pessoal. Estas afirmações, habitualmente proferidas por seres frustrados, que buscam a própria superioridade às custas da inferiorização de terceiros, têm consequências que vão lapidando toda uma personalidade, em termos de auto-estima, auto-conceito e auto-confiança.

A mediocridade das afirmações que minimizam, destroem e magoam fazem acreditar que, efetivamente, as pessoas de nada valem, são um fracasso.

O que seria um insulto ao bem-estar pode passar a ser uma verdade absoluta, quando repetida muitas vezes, especialmente se se tratar de pessoas que possam até encontrar-se mais fragilizadas ou sensíveis em alguma área da sua vida ou em algum momento da sua jornada.

Além deste mal-estar causado pela insegurança, surge a ansiedade de desempenho, que se vai refletir em variadíssimas áreas da vida, nomeadamente nas relações interpessoais, nos testes ou exames académicos, no desempenho laboral, no falar em público e até no próprio desempenho como pessoa. As pessoas passam a acreditar que não são suficientemente boas ou capazes, em função do que lhes foi dito e foram interiorizando. Mas a verdade é que não existem fracassos nem fracassados. Existem erros, existem coisas a melhorar, existem contextos externos a influenciar, muitas vezes de forma negativa.

É importante desmistificar a ideia do fracasso e as consequências a ele associadas.

As pessoas não são os seus erros, mas sim a capacidade de aprenderem com os mesmos, bem como o que fazem com essas aprendizagens, de que forma constroem o seu futuro e evitam erros anteriores.

São as aprendizagens que nos definem, e não os fracassos pelos quais vamos passando ao longo da vida. Nós somos, nada mais nada menos, do que o somatório das nossas experiências, que se constroem com base nas aprendizagens, fruto das tentativas e erros, das decisões que tomamos a cada instante e que definem o rumo que o futuro está a tomar.

Não tenha medo de fracassar. É normal fracassar. Mas é importante que assuma que algo não está bem e que esteja realmente focado em aprender e corrigir para que a sua vida possa ser plena de concretizações.

A vida não é uma linha reta, é como um eletrocardiograma, tem pontos altos e pontos baixos. Mas isso significa que, efetivamente, estamos a viver. Se num eletrocardiograma a linha for reta estamos mortos, tal como no caminho da vida. É importante termos consciência deste percurso sinuoso, mas, mais importante ainda, é sabermos e termos a coragem de levantarmos a cabeça e seguirmos em frente quando estamos num ponto mais baixo da nossa vida. Tudo passa. Tudo vai e vem. Tudo é efémero… exceto a sua capacidade de se superar!