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Artigo de Opinião

Nutricionista

13/03/2023 08:00

És "o marrão" se és o melhor da escola. És o "queridinho" se o teu patrão gosta de ti. És "o engatatão" se és bonito e gostas de sair à noite. Se és mulher, a coisa muda de figura, és "a pindérica" e, se és extrovertida e se gostas de sair e tens muitos amigos homens és a… enfim, rótulos é o que não falta. E o pior, é que rotulamos sem conhecimento de causa, sem saber o que se passa na vida de uma pessoa, sem conhecer, verdadeiramente, uma pessoa.

Se for então a nível de aspeto físico é bem pior: és o fininho, a boazona, a "Olívia Palito", a velhota, o grosso, a cota, a sereia ou a baleia. Claro que todos estes nomes e adjetivos, têm o seu lugar, mas não quando usados sem conhecimento de causa ou com conotação negativa.

E a propósito de forma física, no dia 4 de março, assinalou-se o Dia Mundial da Obesidade. Este ano de 2023 o tema escolhido foi «Mudança de Perspetivas: Vamos Falar Sobre Obesidade». Então, aqui estou eu, para falar de obesidade!

O rótulo de "o gordo", "a baleia", "o rechonchudo" ou "o balofo" associado a "o desleixado" tem que mudar. A nossa perspetiva, tem mesmo que se transformar quando falamos de pessoas obesas, pois a obesidade é sim uma doença e muito complexa.

Temos de começar a refletir, cada vez mais, nas assunções que temos do que nos rodeia e na ideia que temos de cada pessoa. Todos nós temos um aspeto físico que nos foi dado pela genética, um estilo de vida e todo um percurso de vida escolhido pelo nosso livre arbítrio, mas também algumas dificuldades e problemas que surgem sem termos qualquer tipo de controlo. Toda a vida é uma vida e toda a vida é bastante intrincada.

Se queremos ajudar vamos começar por não julgar e quanto a rótulos, porque eles existem, vamos usá-los com peso e medida, por favor.

Decidi expor a minha opinião sobre este tema pois, recentemente, vi o filme "A Baleia", de 2022, um drama psicológico com o excelente ator Brendan Fraser e deu-me muito que pensar! Aliás, achei um filme brilhante e muito realista! Uma forma de conhecer o problema da obesidade de dentro para fora, principalmente no que respeita à obesidade mórbida.

Muito bem retratada no filme, a obesidade, para além das repercussões físicas é uma doença muito emocional que pode levar à compulsão alimentar. Toda uma vida, desgostos recalcados e percalços por cicatrizar podem ter com consequência uma tentativa de compensação ilusória dos problemas pessoais ou da tristeza ou raiva, através do prazer de comer.

Quem é obeso refugia-se na comida: É o "perdido por cem, perdido por mil"! A dor emocional é gigante! Mesmo que sejam chamados à realidade e mesmo que tentemos incentivar à mudança, a ajuda não é aceite, não porque não é bem-vinda, mas porque não vale a pena. A maioria das pessoas que sofre de obesidade assume o rótulo de obeso, da pessoa querida, cuidadora, divertida e bem-disposta, mas a verdade é que esse rótulo os consome! É o sofrimento pelo julgamento e pela vergonha, porque quem é obeso sabe que se sair à rua será rotulada negativamente. Por isso, muitas vezes isolam-se! Ficam sós ou melhor sentem-se sós!

Os rótulos têm de acabar: não somos sereias nem baleias, somos pessoas. Podemos ser nós próprios, com orgulho no nosso corpo e saúde. A saúde, em termos físicos, tem de ser o standard na sociedade e nada mais que isso!

Quanto aos rótulos, que o seguinte passo seja o número um para a mudança: Que se calem as bocas!

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