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Artigo de Opinião

Conselheiro das Comunidades - África do Sul

2/07/2021 08:00

Quem conhece os europeus sabe muito bem que "não têm vontade de morrer" e felizmente que a Europa, ainda, tem governos funcionais uns mais eficientes que outros e que pugnam pelo bem-estar dos seus cidadãos, insistindo com impetuosidade na vacinação dos mesmos através de todos os setores da sociedade. A maioria dos sul africanos, assim como também a comunidade madeirense aqui residente comunga a opinião de que medidas rígidas, não devem ser o recurso a longo termo para o combate a esta pandemia e, se não houver o cuidado necessário, é inevitável que o governo muito em breve mergulhará numa situação embaraçosa fazendo face ao descontentamento que vem semeando.

No país constata-se uma desfasagem em relação à Europa de meses na progressão pandémica. A terceira vaga atingiu a Europa em fevereiro e março e Cyril Ramaphosa e o seu conselho estavam cientes de que uma terceira vaga compreensivelmente atingiria território sul africano.

Geralmente é sempre assim, primeiro a Europa, depois a África. Enquanto em França e na Alemanha emergiu uma batalha de protestos, certamente que o governo podia ter tirado ilações para um melhor planeamento, o que deploravelmente não aconteceu e um planeamento que deveria ser melhor para a vacinação da população que atingiu agora os sessenta milhões e com esse planeamento que deixa muito a desejar e até oferece riscos acrescidos como a inevitabilidade da falta de camas para as já sobrecarregadas UCI dos hospitais. Nenhum governo tem necessidade de fazer milagres, aliás, não podem fazer, e também não é preciso cientistas espaciais para ajudarem o país nesta fase difícil agravada pelos altos e inaceitáveis níveis de corrupção. O que se torna imprescindível é a aplicação dos princípios básicos corretos o mais urgentemente possível erguendo sítios funcionais de vacinação para a maioria dos que necessitam, e os "lockdown" deixarão de ser uma necessidade, pondo assim fim a constrangimentos tais como o encerramento de hotéis, restaurantes, proibição de venda de bebidas alcoólicas, bares, tavernas, fronteiras provinciais encerradas, em suma, causando uma alarmante subida em flecha da espiral de falências e desemprego que a todos afetou, incluindo a nossa comunidade em especial de maneira austera.

O pior e revoltante, é de quando aparece um destes oportunistas políticos a mencionar a um desempregado que já perdeu tudo ou a um proprietário em vias de falência que o problema real não é a pandemia, mas sim, o pobre planeamento e as brincadeiras governamentais. Esse político não está de facto longe da verdade, mas isso não convence seja quem for de não ir para as ruas desta África do Sul, protestar neste momento que o número de óbitos ultrapassou os sessenta um mil, entre os quais se incluem pessoas oriundas da RAM. Na hora em que acontecem as celebrações do Dia da Região, na África do Sul segunda pátria de milhares de madeirenses onde alguns, infelizmente, neste dia especial, acordaram pela última vez, longe dos seus familiares, amigos ou conhecidos na sua Madeira querida, cuja efeméride aqui nesta parte de África será celebrada com desesperação, lágrimas e orações mas também com um sorriso de esperança, mas, com a presença do ogro da Covid-19 em mente e contemplando os mais de 61.000 óbitos ocorridos no país onde vivem.

Os emigrantes madeirenses pugnam pelo melhor para a sua terra natal. Vivem "tatuados" sim, mas, sem essa Madeira que os viu nascer e um dia os viu partir tendo a perceção ou um entendimento que os domina, avocam que a "verdadeira ligação importante" à sua terra natal é apenas aquela que é feita através da via económica um fator que não está ao alcance de todos. Urge-se um debate para uma afinização de uma ação clarificadora desta questão da insistência de investimentos e turismo e outras de políticas da Diáspora Madeirense e do Madeirensismo, não doentio, que por vezes aparta irmãos da mesma pátria absoluta e desnecessariamente, prejudicam a Madeira e os Madeirenses.

Na hora em que escrevo, as celebrações atingem o seu auge na Madeira, aproveito a circunstância para agradecer a todos os lutadores pela conquista da autonomia e a todos aqueles que honesta e dedicadamente cumprem a autonomia, cumprem a Madeira e aos timoneiros atuais desejo-lhes a serenidade, e neste transe extremamente difícil de governação, para antecipar adversidades e fragmentações decidindo sempre o melhor para a Madeira e para todos os madeirenses.

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