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Artigo de Opinião

Professor

16/01/2022 08:00

Que o cidadão não sabe, muitas vezes, distinguir o trigo do joio. É verdade, temos de reconhecê-lo. Mas também é verdade que nesses meios de comunicação social tradicionais, que se dizem imparciais, evocando a ética e deontologia profissionais, abundam jornalistas/comentadores ao serviço de interesses políticos instalados nos governos. Tudo muito dissimulado, muito engenhosamente apresentado. E o pior é que falam sempre em nome de uma isenção que de facto não praticam. Vem isto a propósito dos debates para as próximas eleições legislativas.

Não se trata dos comentadores convidados que, em princípio, todos sabem, estão afetos a um ou a outro partido, a esta ou aquela ideologia, sendo legítimo que isso se reflita no seu comentário. O problema são os jornalistas. Os comentadores residentes. Aqueles que, tendo carteira profissional, aparecem identificados como diretores deste ou daquele jornal, redatores dum ou de outro canal televisivo, fazendo comentário político que, para quem está minimamente preparado, cheira a encomenda, a engajamento não declarado. E nisto, o universo socialista é campeão. Com a sua hegemonia no aparelho de Estado que domina a seu bel prazer já lá vão algumas décadas, o PS beneficia dos interesses instalados neste status quo, onde pululam as vozes mais ouvidas no espaço mediático nacional. Para além dos duvidosos critérios de escolha dos painéis de comentadores, sempre numa maioria que tresanda a esquerdismo conivente, é ver os próprios jornalistas/comentadores, no seu afã de proteger o atual primeiro ministro. O homem enterra-se no frente a frente com Rui Rio, mas está certo que pode contar com uma poderosa rede de comentadores e jornalistas para ampará-lo.

Multiplicam-se em explicações daquilo que Costa disse, daquilo que Costa não disse, do que poderia ter respondido, daquilo que queria dizer, mas não disse. É dum contorcionismo agoniante para salvar a face do partido onde todos têm interesses. Alguns escondidos, outros evidentes. Todos nós assistimos a um primeiro-ministro cansado, esgotado, sem soluções para o país, com uma receita gasta, lambuzada de radicalismo de esquerda que bloqueia o país há décadas. Sem alavancas para a economia, que nos coloca, cada vez mais, na cauda da Europa. Com obsessão por insustentáveis aumentos da despesa pública. Mas, ouvidos os comentários, fica tudo a luzir que nem ouro. Toca a abrilhantar António Costa e a ofuscar Rui Rio, com aquilo que eles dizem que ele disse, mas não disse.

António Costa perdeu o debate em toda a linha. Afundou-se perante a argumentação do seu opositor, não apresentou uma ideia nova para o país. Mas depois, já no prolongamento e fora do debate, durante mais tempo que o concedido em estúdio, sem o contraditório do seu adversário, com a conivência de toda a comunicação social que replicou o que ele disse até à exaustão, encheu os écrans com mentiras sobre aquilo que Rui Rio tinha dito. Uma figura triste para quem tinha consciência do peso da sua derrota.

E todos colaboraram naquele velho truque socialista. Lança-se a mentira. A troupe de jornalistas e comentadores amigos apanha a deixa. A narrativa constrói-se. O espaço público é invadido de equívocos e deturpações. E o PS safa-se. Até ver.

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