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Artigo de Opinião

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13/03/2021 08:03

O Dia Internacional da Mulher veio relembrar-nos as lutas que não ficaram suspensas com a pandemia. De facto, as mulheres foram líderes na luta contra a COVID-19, demonstrando competência, dedicação e perseverança.

Foram líderes, também, pelos piores motivos: a pandemia revelou um aumento das desigualdades em todo o mundo.

A Comissão Europeia assumiu, há pouco tempo, que as mulheres e as minorias foram, efetivamente, os grupos mais afetados pela pandemia.

A cada dia que passa percebemos que existe um aumento generalizado dos números de violência doméstica - seja contra as mulheres, as crianças, ou os homens. E é aqui que continuamos a perder na nossa luta pela igualdade. Tal como na problemática da violência doméstica, a igualdade não se limita às mulheres. Igualdade significa que todos os cidadãos têm acesso ao emprego, à educação, à habitação, à saúde, sem excluir ninguém. É disso que se trata. Ainda assim, as mulheres continuam a enfrentar o sexismo, a discriminação e o assédio sexual.

O nosso dever (de todos, não apenas das mulheres), é agir para que haja uma verdadeira igualdade de direitos sem nos deixarmos manipular por aqueles que mantêm a narrativa de que "as mulheres querem igualdade, mas uma mulher e um homem nunca poderão ser iguais, até porque anatomicamente, não é possível". Não é disso que se trata. E quem defende que 'a luta pela igualdade' passa pela igualdade de desempenho físico, está muito longe de compreender os desafios que se colocam não só às mulheres, mas a todas as minorias. Deixemo-nos de tropeçar em discussões estéreis e perfeitamente escusadas.

A mulher tem de ter os mesmos direitos que o homem, não mais, não menos. A promessa de igualdade não é a mesma coisa que igualdade de facto! O ideal de igualdade não nos coloca em pé de igualdade com ninguém.

Os números estão à vista: 60% das mulheres a nível europeu detêm formação superior. Há mais mulheres na liderança, em cargos de chefia, na linha da frente, sim, mas a desigualdade mantém-se. O mérito destas mulheres continua a ser vulgarizado - na política, "só conseguiu o tacho porque é mulher"; na vida empresarial "só é dona da empresa porque o pai é X ou Y", ou "casou com X ou Y, assim também eu"; em casa "faz mais tarefas porque ela é que sabe fazer as coisas bem, eu não tenho jeito para limpar", ou "o meu trabalho é diferente, fico mais cansado, também preciso de descansar, e a minha esposa até gosta de limpar a casa" - Não conheço nenhuma mulher que goste de fazer tarefas domésticas depois de uma jornada de trabalho, confesso.

A sociedade continua a desvalorizar o papel que as mulheres têm no desenvolvimento do país, mesmo quando sabemos ser incontestável o papel determinante das mulheres líderes. Os números estão à vista. O preconceito também.

Ensinam-nos que não fica bem sermos frontais, destemidas, ou sermos mais poderosas do que os homens. "Não podes ganhar mais dinheiro do que o teu esposo, ele vai sentir-se inferior". Então, o homem sente-se inferior e a mulher não? Comprometemos os nossos objetivos, as nossas ambições, os nossos sonhos, porque "não fica bem" ou "não é de bom-tom"? Sejamos sérios.

Não podemos esquivar-nos a este debate. Esta não é uma questão 'de mulheres', transcende-nos a todos.

Essa é a grande revolução dos dias de hoje: compreender que a luta pela igualdade não é 'pelas mulheres', é por todos e cada um de nós, hoje, amanhã e sempre.

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