MADEIRA Meteorologia

Artigo de Opinião

Professor

29/08/2021 08:00

Os barcos incandescentes perderam-se mais uma vez pelas encostas, na noite do último sábado de agosto. Para trás ficou a velha polémica entre a Igreja e a Câmara que parece ser agora coisa do passado. Aparentemente, a autarquia levou a sua avante. Meteu-se à frente, passou a pagar a maior parte das despesas e aparece agora em todos os cantos para receber os louros. A Igreja acedeu partilhar a sua tutela, poupando uns trocos. O aproveitamento político duma tradição que pertence ao povo da cidade já não incomoda ninguém. Até porque, falando de política autárquica, de candidatos e de demagogia, há muito mais com que se entreter. Já ninguém se incomoda com nada. Até o fogo tem sido aproveitado. O dos fachos e o dos incêndios também.

Atribuir, em véspera de eleições, um voto de louvor aos bombeiros municipais só porque cumpriram o seu dever de apagar um incêndio, só pode ser demagogia. Assim como tem sido demagogia as propostas de louvores a torto e a direito, cada vez que o nome dum machiqueiro aparece nas páginas dos jornais, por uma boa razão. Não sou contra os votos de louvor ou de congratulação àqueles que se distinguem ou prestam elevados serviços ao município, mas a sua banalização cheira a demagogia barata. Daqui a anos, poucos serão os machiquenses que não terão alcançado um voto de louvor da autarquia. O que torna tudo muito vulgar.

E agora então, chegada a hora decisiva, os candidatos desdobram-se em doces gestos e sugestivas palavras, esquecendo que um candidato vale mais por aquilo que já fez, na vida, na sua profissão ou na política, pela sua imagem pública, do que por aquilo que anuncia para o futuro. Os discursos e juramentos de campanha eleitoral já não são levados muito a sério. Sobretudo nas autarquias locais onde todos se conhecem e onde os comportamentos ou as personalidades de cada um valem mais do que todas as promessas de campanha.

Todavia, sem alguma dose de demagogia, dificilmente alguém consegue fazer-se eleger para um cargo qualquer. Sobretudo para um cargo político. Diz-se, sem assumir publicamente, que isso se deve ao facto de o povo gostar de ser iludido, enganado. De colocar as expetativas demasiado elevadas. O que obriga os candidatos, salvo poucas exceções, a prometerem aquilo que dificilmente conseguirão realizar. Porém, seria de esperar que numa democracia amadurecida, como a nossa, com maior nível de escolaridade da população, com anos e anos de experiências eleitorais, o povo se deixasse menos influenciar por doses desmesuradas e descaradas de infantilidade demagógica. Que os candidatos não fossem tão básicos. Que a objetividade superasse a demagogia.

Mas é a realidade que temos. Promessas para todos os gostos. Um desconhecimento gritante das mais elementares competências e limitações das autarquias. Um rol de asneiradas de uns e um monte de mentiras e desculpabilizações de outros. O povo, esse, diverte-se neste ping-pong eleitoral, sem dar importância ou sem perceber que vive num concelho cada vez mais envelhecido e enfraquecido, onde a juventude debanda à procura de melhores oportunidades, com cada vez menos população, apesar das suas potencialidades naturais. Um concelho onde a pujança de anos anteriores cedeu lugar à estagnação. Onde se pensa tapar os olhos do eleitor, à última da hora, com lombas e alcatrão nas estradas. Onde se esquece que não basta distribuir apoios sociais, que a melhor forma de apoiar a população é criando condições para o desenvolvimento económico que promove riqueza para todos.

OPINIÃO EM DESTAQUE
Coordenadora do Centro de Estudos de Bioética – Pólo Madeira
11/04/2024 08:00

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