MADEIRA Meteorologia

Artigo de Opinião

Diretor

14/02/2026 08:05

Era uma vez um país em forma de retângulo continental com dois arquipélagos.

Era um país com gente dentro. Um país com história. Que deu novos mundos ao mundo.

Mas esse país sempre viveu mais interessado na sua dimensão continental do que virado para as ilhas que lhe garantem enorme potencial Atlântico.

Séculos depois, esse país permanece mais virado para as autoestradas que levam a Espanha e a França e menos para o caminho marítimo ou aéreo para a Madeira ou os Açores.

É como se desenvolvesse uma vaidade provinciana em relação às capitais de países vizinhos e tivesse uma certa vergonha de quem nasce, vive e trabalha nas ilhas. As mesmas que conferem a tal dimensão Atlântica e marítima que todos os governos prometem explorar através de pacotes legislativos e incentivos para mergulhar na economia azul e outras balelas.

Essa realidade tem décadas, mas agora ganha um novo contexto com as dificuldades criadas nas ligações aéreas entre as ilhas e o retângulo.

O governo centralista de Lisboa prometeu à Madeira – prometem todos – este mundo e o outro. Uma vez empossados, é o que se vê. Quando os madeirenses e açorianos esperavam soluções simples, ligaram o complicómetro.

Suspenderam pagamentos do Subsídio Social de Mobilidade, entretanto repostos. Inventaram uma marosca que ainda não se percebeu muito bem com os tetos dos valores permitidos nas viagens.

Adiaram a possibilidade de pagarmos apenas o valor da tarifa. E criaram uma coisa tão estapafúrdia a que chamam declaração de não dívida.

Amolam os ilhéus com o adiamento de decisões e com uma nova aplicação que será facilmente entendível por especialistas da NASA, mas que é o cabo das tormentas para quem apenas quer sair e voltar à ilha.

Acumulam-se as reclamações a que o Estado faz orelhas moucas.

Agora, nos tempos modernos, um reembolso requere preciosidades como a chave-digital, o código do cartão de cidadão, a separação do valor da tarifa, a indicação da taxa de combustível e o diabo a quatro.

Perante as prometidas facilidades da moderna aplicação, os formulários das finanças são brincadeiras de meninos.

Protestam os clientes, reclamam as agências de viagem e isto ainda mal começou. A continuar assim, lá para a Páscoa vai ser um calvário ir a uma agência de viagens ou tentar responder a tamanha burocracia que complica a vida a quem apenas esperava um pouco mais de facilidade.

Os próprios profissionais das agências de viagem reconhecem a complexidade dos novos procedimentos e já admitem que perdem mais tempo a preencher quadradinhos digitais do que a vender pacotes de viagens e férias.

Até se aceita que os mais novos e mais dotados de conhecimentos tecnológicos possam lá chegar, com tempo e persistência. Mas, e os outros? Onde ficam os infoexcluídos? Onde entram os que nem sabem utilizar um email? E os mais velhos e os menos informados?

Por este andar, ficam na ilha. Ou, quando muito, ficam à porta da agência de viagens à espera da sua vez.

Entretanto, o país prossegue o seu caminho feito de grandes planos inventados que parecem tão bons e tão feitos à medida como se fossem tirados da Inteligência Artificial.

No caso das novas regras do Subsídio Social de Mobilidade, que vão estar em destaque na próxima semana na Assembleia da República, o que se pedia era apenas para simplificar o sistema. Nunca para o tornar um quebra-cabeças. Vale a pena repetir: se era para fazerem esta coisa que ainda nem sabemos bem o que é e muito menos como vai acabar, então, mais-valia não terem feito nada.

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