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Artigo de Opinião

24/08/2021 08:01

O medo, a raiva, a alegria e a tristeza são as principais emoções básicas do ser humano, que são inatas e não requerem aprendizagem. Apesar da tendência para categorizarmos as emoções em "positivas" e "negativas", o que existe são emoções mais ou menos agradáveis, mas todas são necessárias e têm uma função específica na nossa formação pessoal. Contudo, do ponto de vista social e cultural, está implícito que sentir algumas destas emoções pode ser algo nocivo e categorizado como "fraquezas" e/ou "inferioridades". Todos nós fomos educados com a ideia de que a manifestação de "tristeza" ou de "medo" são sinais de fraquezas a serem evitadas, a todo o custo. Devemos sim, transparecer a ideia de que estamos sempre felizes e que somos sempre fortes, independentemente dos obstáculos da vida.

A expressão da raiva é altamente condenável, pois impera a necessidade de agradar aos outros. Falta-nos a permissão para expressar as emoções e a desvalorização das mesmas, leva-nos a entrar em processos de negação, repressão ou distorção dessas emoções e suas realidades. Devemos sim, regularmos essas emoções e expressá-las adequadamente. Faz sentido percebermos que temos de dizer aquilo que pensamos e o que sentimos no momento certo para que possa ocorrer da forma mais correta. Assim, se sentirmos necessidade de dar a nossa opinião devemos criar as condições para o fazer, se queremos algo, devemos pedi-lo, se sentimos algo, devemos dizê-lo à pessoa em causa, para evitar uma acumulação de emoções, sejam elas "positivas" ou "negativas. Devemos fazer este exercício, mesmo que não o tenhamos aprendido e praticado na infância e proporcionar essa mesma oportunidade aos nossos filhos. Devemos criar um ambiente favorável à expressão destas emoções, na educação dos nossos filhos. Porque, mesmo as emoções mais desagradáveis nos fazem falta para aprendermos a conhecer-nos e ao mundo. As emoções têm uma função adaptativa, que nos protege, fazendo de nós, pessoas mais resilientes perante as situações adversas da vida.

A raiva dá-nos a energia para dar o passo certo, corrigir as situações ou prevenir que se repitam. Sem a tristeza não conseguimos fazer o luto das situações. Manifesta-se pelo choro e pela aceitação da realidade, conferindo assim, um importante papel de integração e de reparação. O medo, coloca-nos à prova e ao apercebermo-nos da existência de um perigo, naturalmente nos colocamos em fuga. A alegria diz-nos que estamos no lugar certo e orienta-nos para o exterior e para os outros.

Emoções são sempre emoções! "Boas" ou "más", é o que fazemos com elas! Atendendo à etimologia da palavra "emoção" - advém do latim "e-movere", que significa "mover para fora". O que questiono, neste exato momento: - Será que permitimos aquilo que sentimos se mova para fora de nós? Ou vivemos aprisionados à expressão dos nossos sentimentos?

Na maioria das situações, não é o problema que nos afeta, mas sim a nossa forma de o encarar e de lidar com ele. É importante procurar em nós a razão pela qual sentimos determinada emoção, com algo ou alguém, pois só assim poderemos ultrapassar esse obstáculo e seguir em frente. É ainda, fundamental reforçar que, todos temos o direito de estar mais frágeis, mais tristes, mais aborrecidos, pois todas estas emoções devem ser aceites e nos ajudam a crescer.

As emoções, mesmo sentidas como desagradáveis, têm um importante papel e devem ser experienciadas adequadamente para que sejam reparadoras e que previnam o aparecimento de "males estares" psicológicos. É aqui, que o apoio psicológico pode ser encarado como aquela ajuda que precisamos e não devemos menosprezá-la. Ajuda-nos a encontrar as melhores estratégias para expressar aquilo que sentimos, a reconhecê-las, a aceitá-las e a geri-las da forma mais adequada. Com certeza, alcançará uma maior satisfação consigo próprio e com os outros.

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