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Artigo de Opinião

13/02/2023 08:00

Nessa primeira, com o foco no PSD, várias personalidades locais prestaram declarações, sendo algumas delas de conteúdo escaldante. Não por serem novidade, mas por quem as proferiu. Toda a oposição (incluindo o CDS até 2019), sempre acusou a promiscuidade existente entre o Governo Regional, o PSD-Madeira e alguns dos grandes grupos económicos regionais.

O mais gritante desses depoimentos, foi o de Sérgio Marques, ex-deputado à Assembleia da República, ex-eurodeputado e, mais importante, ex-Secretário Regional. Marques acusa o compadrio entre o Governo Regional e alguns grupos económicos, que o levaram a ser demitido do cargo. Segundo o próprio referiu, "ele [Avelino] sempre se habituou a ter um secretário que o servisse...", só não vê a gravidade destas palavras quem está completamente ofuscado por uma cegueira em tons alaranjados.

Na sequência dessas declarações, o PS avançou de imediato com uma comissão parlamentar de inquérito, com o propósito de aferir a tal promiscuidade entre o Governo Regional e vários grupos económicos. Importa saber de que modo essa promiscuidade afeta a nossa governação, como é que as obras vêm sendo executadas ao longo destas décadas, qual a sua real necessidade, relevância, custos, entre tantas e tantas matérias. Um esclarecimento necessário para a população da Região, pois afinal de contas, foi tudo também pago com dinheiro dos contribuintes madeirenses.

De imediato, o próprio PSD disse que pugnava pelo esclarecimento da população, pela transparência e pela aferição dos factos, de modo a que não restassem dúvidas. Só que não!

Quem quer aferir factos não obsta que eles sejam conhecidos. E foi isso que aconteceu na primeira reunião desta Comissão de Inquérito. Os deputados do PSD que mais pareciam os advogados do Governo, qualidade que por acaso acumulam, tentaram por todas as formas inventar argumentos jurídicos, ridículos e incongruentes até, só para emperrar uma Comissão que para seu azar é potestativa, e, portanto, obrigatória. De um momento para o outro, o interesse do PSD pela transparência esfumou-se, e rejeitaram tudo, mas mesmo tudo, o que era passível de ser votado. Rejeitaram o pedido de realização de uma perícia judicial, que iria permitir esclarecer documentos técnicos e eventuais dúvidas, rejeitaram todos os documentos solicitados e ainda chumbaram todos os nomes que dependiam de votação, como os do próprio Sérgio Marques, de Miguel de Sousa, Jaime Filipe Ramos, Pedro Calado e Alberto João Jardim, entre outros.

Afinal de que tem medo o PSD que nem os seus distintos militantes se atreve a ouvir? Que querem esconder a uma comissão de inquérito que pretende tão só a verdade? E por fim, qual dos empresários está a dar as orientações políticas para o posicionamento do PSD perante esta Comissão?

E ainda porque falamos de pressão de grupos económicos, tenho uma outra dúvida. O que leva o PSD de Pedro Calado a suspender o Plano Diretor do Funchal? Um PDM bem elaborado, que contou com uma equipa e estudos altamente qualificados, definiu o planeamento da cidade para os próximos anos e agora de repente querem suspender? Afinal quem está a mandar na Câmara Municipal do Funchal? Uma coligação que neste momento está reduzida a um partido, ou o patrão do Presidente da Câmara Municipal do Funchal?

Que interesses económicos protege Pedro Calado? Que Presidente de Câmara é este que em vez de defender a causa pública como lhe compete, defende a causa privada, à mercê de pedidos aqui e acolá, satisfazendo uma vasta clientela que tem como última preocupação o bem-estar da população do Funchal.

E assim vamos de compadrios nesta nossa Região que devia ser mais de todos e menos de alguns.

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