A Câmara das Caldas da Rainha cancelou eventos como o Carnaval, o Festival Foz Beats e vai deslocalizar o Oeste Lusitano, devido aos estragos causados pelo mau tempo na Foz do Arelho e no Parque D. Carlos I.
Face ao prolongamento da situação de calamidade no concelho e “aos elevados prejuízos registados”, o município decidiu, em conjunto com as associações envolvidas, cancelar os corsos do Carnaval deste ano, bem como o Carnaval das Crianças e dos Idosos”, informou a Câmara das Caldas da Rainha, no distrito de Leiria.
À agência Lusa, o presidente da autarquia, Vítor Marques, explicou hoje que, “embora o Carnaval das crianças e dos idosos seja na Expoeste [pavilhão de exposições], com boas condições, há a questão do mau tempo e das deslocações, pelo que a opção foi cancelar para preservar a integridade de todos”.
Vítor Marques esclareceu que a Câmara “estabeleceu com as associações um plano de entendimento para suprir o investimento já feito na confeção dos fatos e dos carros alegóricos”, parte dos quais “poderão ser utilizados no Carnaval de 2027.
A Câmara decidiu ainda cancelar dois eventos: o Foz Beats, previsto para a praia da Foz do Arelho, em julho, e o Oeste Lusitano, agendado para o início de maio, no Parque D. Carlos I.
“Também estamos com problemas na Foz do Arelho, na praia, com a ‘aberta [canal que liga a Lagoa de Óbidos ao mar] a deslocar-se cada vez mais para norte e apanhar quase a Avenida do Mar”, explicou o presidente, justificando o cancelamento do Foz Beats.
Apesar de o evento se realizar em julho, o autarca sustentou não haver condições para manter a edição de 2026, tanto mais que “na segunda-feira vai ser iniciada uma intervenção”, para a qual foi pedida autorização à Agência Portuguesa do Ambiente” e que passará por “deslocar areia para abrir uma segunda ‘aberta’ para salvaguardar a Avenida do Mar e a praia”.
“Pelas questões de segurança, mas também pelo investimento que é feito nesta matéria, a juntar tantos que há para fazer no concelho que hoje tem mais de 50 estradas fechadas, algumas partidas, entendemos não fazer os eventos”, acrescentou.
No caso do Oeste Lusitano, organizado pela Associação de Criadores do Oeste e que deveria realizar-se no início de maio no Parque D. Carlos, a Câmara decidiu que deverá realizar-se num local alternativo, “devido aos danos que a depressão Kristin provocou no Parque e na Mata, com a queda de árvores e estruturas”.
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.