MADEIRA Meteorologia

Mau tempo: Câmara de Pedrógão Grande estima que 80% das casas foram afetadas

Data de publicação
07 Fevereiro 2026
10:11

O presidente da Câmara de Pedrógão Grande, concelho do distrito de Leiria gravemente afetado pelo mau tempo, estimou hoje que 80% das casas tenham sido afetadas pelo mau tempo.

“Temos milhares de casas afetadas, 80% estão afetadas”, disse à agência Lusa João Marques, adiantando que estão instalados cerca de 3.700 contadores de água no concelho.

Questionado sobre o estado do concelho 11 dias após o impacto da depressão Kristin, o autarca declarou que está um “bocadinho melhor”, notando, contudo, que a ajuda prestada à população ainda “é um socorro muito débil”.

“Estamos a pôr lonas, plásticos, a repor telhas naquelas situações menos graves em que há telhas disponíveis”, explicou o presidente do município, salientando o espírito de entreajuda que permitiu, a muitas famílias, com ajuda de vizinhos resolverem os casos menos graves.

Por outro lado, realçou o trabalho dos funcionários da autarquia, bombeiros, Guarda Nacional Republicana, população, onde se contam muitos estrangeiros, e voluntários que chegam ao concelho.

A título de exemplo, adiantou que um grupo de pessoas oriundas dos Estados Unidos da América está em Pedrógão Grande e, na próxima semana, junta-se outro de cabo-verdianos que estudaram na escola profissional local.

“É um movimento de voluntariado extraordinário”, considerou o autarca.

De acordo com João Marques, o “grande problema” continua a ser a falta de eletricidade numa parte do concelho, agravada com furtos de material elétrico.

“Temos zonas no concelho que já tiveram energia e que deixaram de ter por causa destes roubos”, afirmou, assegurando que as autoridades estão atentas, mas é necessária “vigilância em relação às infraestruturas elétricas”.

Numa publicação nas redes sociais, o município de Pedrógão Grande manifestou preocupação com situações de furto de “equipamentos essenciais ao funcionamento da rede de distribuição elétrica”.

“Estes furtos têm provocado novas interrupções no fornecimento de energia em zonas já recuperadas, agravando os transtornos para a população”, lê-se na publicação, que pede à população uma “vigilância ativa”.

João Marques reiterou o pedido de solidariedade, “sobretudo na ajuda de mão de obra e materiais de construção”, para a reconstrução do concelho.

Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.

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