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Artigo de Opinião

Professor

25/09/2023 08:00

Para a grande maioria, isto interessa tanto ou mais do que a política partidária. Interessa mais porque mexe com o seu dia-a-dia, com o seu bolso, com o seu orçamento familiar. Diria mesmo, mexe sobretudo com a sua dignidade, porque ninguém gosta de ser feito de parvo.

Apoquenta o cidadão a confusão dos preços nos supermercados do costume, na cadeia de supermercados para onde os produtos migram frescos e a baixos preços, nas lojas onde sempre que o cliente lá vai tem a sorte de ser a semana sem IVA, nas lojas onde todas as semanas há um Black Friday e outras invenções que não lembra ao bom senso.

É que a lata destas empresas, a sua agressividade junto do consumidor é tanta que já ninguém sabe o preço certo das coisas. E a inflação só veio baralhar ainda mais a cabeça de cada comprador. Os responsáveis por esta política de preços inconstantes, de falsas promoções, têm como objetivo criar a sensação de que o consumidor, comprando nesse dia, está a ser amplamente beneficiado. O que não é verdade. E parte do pressuposto de que todo o cliente sofre de iliteracia financeira. Que não sabe fazer contas ou não compara os preços de hoje com os de ontem.

Se não, como é possível dizer às pessoas que a cerveja está numa promoção, com cinquenta por cento de desconto, todos os dias, há quase uma década? Porque não se diz que aquele é o preço real do produto? Porque razão se aumenta descaradamente o chamado preço real para depois fazer uma promoção e deixar o produto com um valor aproximado de antes da promoção? Como é possível, com que lata, se diz ao comprador que adquiriu uma determinada garrafa de vinho por oito euros no dia anterior e que nesta terça-feira o preço é de dez euros, mas com a promoção de vinte e cinco por cento acaba por ficar a sete euros e meio?! Não é promoção, é embuste. Como pode estar um produto nas prateleiras com uma promoção de sessenta por cento, durante ano? Não é promoção, é trapaça.

Mas que raio é esta maneira de tratar os clientes! Como é possível fazer crer ao interessado que esta é uma semana sem IVA na compra de uma mobília e que essa vantagem é só nesta semana, quando se vem a saber que todas as semanas são ditas de IVA zero nessa loja. É truque para precipitar o cliente? E que história é essa de IVA zero no mobiliário?

Mas afinal somos um país de gente parva? Deixamo-nos tratar desta maneira sem qualquer clamor público. Será que não temos o direito de saber o preço certo e justo de cada produto, sem estes trocadilhos que querem fazer de nós gente mentecapta.

É verdade que os preços são livres e a concorrência acaba por ajustá-los. As lojas e supermercados têm direito à sua política comercial, mas não têm direito de gozar com a cara do cidadão, tratando-o como se fosse um imbecil e isto na frente das entidades governamentais que nada fazem em defesa da dignidade do consumidor.

Noutros países, o clamor popular foi de tal ordem que toda esta parvoíce já passou à história, com a ajuda da intervenção pública. Neste país ainda gostamos de ser tratados abaixo de cliente.

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