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Artigo de Opinião

Professor

10/04/2022 08:00

Houve, e há, sim, largas e fundadas razões contra os que, desde logo, se apropriaram da data para celebrar valores e ideologias que mesmo tendo falido em todo o mundo, continuaram como se fossem "os amanhãs que cantam", que queriam impor ao País. Os que persistiram numa verdade alternativa da realidade. No pós-verdade. Os que capitalizando o seu ego, se foram proclamando fundadores da democracia. Uma mentira do tamanho do Kremlin.

E, se perguntarmos sobre a relação entre a invasão da Ucrânia e o nosso 25 de Abril, a resposta só pode ser uma. Sim, tem tudo a ver. Tirando a guerra, as armas, as mortes e a destruição, tudo tem a ver com tirania versus democracia. O que está a acontecer na Ucrânia ajuda a percebermos melhor os caminhos que o nosso país trilhou desde setenta e quatro. Percebermos por isso a importância do 25 de Novembro de 1975. Muitos dirão que é passado. Sim, mas a verdade é só uma. As narrativas alternativas são construções de quem não tem razão. Ou pior, de quem se recusa a admitir que está errado. De quem, como Putin, vive da sua verdade.

No País, e na Madeira em particular, houve sempre uma barreira intransponível entre os que reduziram a revolução dos cravos a esse dia primeiro, o dia do golpe militar que depôs o regime salazarista e iniciou o período revolucionário de desmandos e atrocidades, e os outros, os verdadeiramente democratas, que só viram chegar a Liberdade e a Democracia com o 25 de Novembro, que decretou a derrota dos que queriam para o País uma deriva comunista. O PS nunca quis contrariar os partidos à sua esquerda por uma questão de conveniência tática de Mário Soares e a data foi secundarizada. O 25 de Novembro nunca foi valorizado porque isso era dar razão aos que estavam à direita do PS. E esses, na altura, pelas vozes revolucionárias reinantes, ainda tinham o cheiro do antigo regime. Se adaptarmos à novilíngua russa da atualidade, esses ainda estavam nazificados.

Os que nunca aceitaram celebrar Novembro foram os mesmos que lutaram contra a NATO, que nunca aceitaram a União Europeia, a democracia liberal e os valores maiores do ocidente. Os que sempre se colocaram do lado de Moscovo por ódio aos méritos do capitalismo e da democracia liberal. Por ódio ao sucesso civilizacional da Europa, por frustração pela falência e implosão do comunismo internacional.

Os que recusam celebrar em Novembro, e só colocam cravos vermelhos em Abril, admiraram Trotsky, Lenine e Estaline. Tudo ditadores sanguinários. Admiraram a União Soviética e agora a mãe Rússia dos oligarcas e de Putin. Tudo por despeito aos nossos valores ocidentais, tudo porque a História não deu razão às ideologias que alimentaram os sonhos e quimeras que tiveram.

E não vale a pena o contorcionismo hipócrita de comunistas, bloquistas e demais corações extremistas, os mesmos que abominam a ideia de uma celebração do 25 de Novembro. Porque a luta da Ucrânia é pela democracia liberal, é pela adoção do modo de vida e valores civilizacionais da Europa e do mundo ocidental. E isso em Portugal não resultou logo do 25 de Abril. Foi sim uma conquista do 25 de Novembro.

OPINIÃO EM DESTAQUE
Coordenadora do Centro de Estudos de Bioética – Pólo Madeira
11/04/2024 08:00

A finitude da vida é um tema que nos confronta com a essência da nossa existência, levando-nos a refletir sobre o significado e o propósito da nossa passagem...

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