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Artigo de Opinião

3/05/2026 08:00

A forma como tratamos os animais continua a ser um espelho incómodo da nossa sociedade. Em Portugal, estima-se que existam mais de 930 mil animais errantes e que sejam abandonados cerca de 115 animais por dia. Estes números não são apenas estatísticas — são vidas descartadas, sofrimento silencioso e uma realidade que continua demasiado presente.

Na Madeira, esta realidade assume contornos próprios. Ao longo dos anos, o PAN Madeira contribuiu para avanços importantes, desde o reforço da proteção legal dos animais à promoção de campanhas de sensibilização e apoio às associações. Mas quem está no terreno sabe: há problemas que persistem e que não podem ser ignorados.

Um desses exemplos é a utilização de animais em jardins públicos. A ausência de critérios uniformes e de fiscalização regular levanta dúvidas legítimas sobre as condições em que vivem. Não basta que existam — é necessário garantir que vivem com dignidade, livres de stress, negligência ou sofrimento invisível aos olhos de quem passa.

Também no transporte marítimo de animais continuamos aquém do aceitável. Apesar das denúncias recorrentes, persistem falhas no cumprimento de normas básicas de bem-estar, sujeitando animais a viagens longas sem as condições adequadas. São horas de ansiedade, desconforto e vulnerabilidade que não podem continuar a ser desvalorizadas.

A verdade é que continuam a ser registados, todos os anos, centenas de casos de maus-tratos e abandono em Portugal. Redução não é sinónimo de resolução — cada número representa uma vida em sofrimento.

Neste contexto, o papel das associações é absolutamente insubstituível. São estas estruturas que, muitas vezes sem apoios suficientes, asseguram resgates, tratamentos e reabilitação. São também rostos, histórias e uma dedicação diária que impede que muitos animais sejam simplesmente esquecidos.

Mesmo fora de cargos de decisão, o compromisso mantém-se. Continuar a acompanhar situações no terreno, denunciar às entidades competentes e dar voz a quem não a tem não depende de cargos — depende de consciência e de responsabilidade.

A nível nacional, importa também destacar ferramentas que promovem transparência, como o PANDados, que permite acompanhar políticas públicas de forma mais informada e exigente.

Falar de animais é falar de empatia, de responsabilidade coletiva e do tipo de sociedade que escolhemos ser. A Madeira pode — e deve — fazer mais. Porque o progresso mede-se, acima de tudo, pela forma como cuidamos de quem não pode pedir ajuda.

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