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Artigo de Opinião

Presidente do Conselho Regional da Ordem dos Advogados

1/04/2026 08:00

Na minha juventude, as semanas que antecediam a Páscoa, eram muito marcadas por dois jogos tradicionais, o balamento e o pião.

O balamento ou belamente, como é popularmente designado, é um jogo, onde dois jogadores combinam os dias e horas do jogo, em que ganha aquele que, em primeiro lugar disser a palavra “balamento”, sendo que, quem ganha o jogo, embora verdadeiramente, o resultado seja o menos importante, recebe os torrões, amêndoas ou chocolates, que acabam depois sendo compartilhadas entre todos.

Ainda hoje, mantenho essa tradição e, desafiado e desafiando uma amiga minha, combinamos cinco a sete dias antes das férias da Páscoa e andamos a esconder-nos um do outro, pelo menos uma vez por dia, com engenhosas estratégias de esconderijo, para o efeito até alterando os nossos percursos habituais, mudando até as rotinas diárias, com risos à mistura (e algumas ajudas pelo meio), para procurarmos, como dizemos, dar o balamento, antes do outro (regra definida – não vale por telefone).

São tantas as gargalhadas dadas em cada balamento, uma alegria natural, sem necessidade de carregar no botão do on ou do off para podermos jogar e, em que, quem perde, perde, pois o delete e voltar a jogar, não existe, como acontece nos jogos eletrónicos, agora tradicionais, nos mais jovens.

Outra tradição da minha infância, era o jogo do pião. Eram dias a fio, com o fio (ou a guita, como também se chamava), na mão a enrolar no pião, a jogar com um grupo de amigos.

Com um bocado de telha fazíamos um círculo no chão, para onde atirávamos os piões, para deixá-los a girar dentro desse espaço e, quem não conseguisse, perdia e tinha de colocar o seu pião no centro do círculo, para ser atingido pelos piões dos outros jogadores (como dizíamos, era cada carecada que, até doía, chegando até a partir alguns).

Neste jogo, a guita enrola-se à volta do pião (o dedo indicador por vezes ficava em “carne viva” de tanto jogar), começando a enrolar da ponta até ao meio do pião até deixar um bocado suficiente para pôr à volta da mão. Depois segurando na ponta da guita, lança-se o pião ao chão, com um movimento de pulso para deixá-lo a girar (por vezes para mostrar perícia, conseguíamos levantá-lo do chão e deixá-lo a rodar na palma da mão).

Infelizmente, estas tradições, vão-se perdendo (uma excepção é o campeonato do domingo na estrada junto ao bar Catrepa, no Porto da Cruz) e, ainda este fim de semana, presenciei essa realidade, quando estava na conversa com aquele meu cliente (do se fosse comigo), vejo o filho e pergunto-lhe: vamos jogar ao balamento? Resposta pronta do miúdo: ah senhor doutor, esse deve ser o novo jogo da NINTENDO, mas não posso porque estou de castigo e meu pai prendeu o meu gameboy e, já vão vinte dias e, disto ninguém diz nada.

E, o meu cliente, vermelho de raiva, lá disse: já vai em vinte e, ainda vais ficar mais alguns e, se achas que isto é uma medida demoratória, sempre podes pedir para o governo aplicar-me uma multa como quer fazer com os advogados.

Perante esta afirmação, lá lhe respondi, dizendo que, não é bem demoratória, mas sim dilatória, mas que, na verdade, dá na mesma, porque, nem o próprio, nem ninguém sabem bem o que o governo da Républica quer dizer com essas “medidas dilatórias” e, tal como nos jogos da NINTENDO, aparece sempre um “vilão” a procurar semear o medo, mas na hora da verdade, surgem os “heróis” que vão salvar os cidadãos desprotegidos e com os seus direitos ameaçados.

E, continuou o meu cliente: doutor, por falar em pião, olhe, é como eu me sinto, um pião. Ainda tenho a cabeça a andar à roda, vinha de Lisboa no domingo e, fizemos quase vinte voltas sobre a ilha da Madeira, para tentar aterrar (no flightradar parecia mesmo um rolo de guita do pião a desenrolar), num ritmo frenético, como se girasse na palma da mão. E, no regresso a Lisboa, já de madrugada, enquanto continuava com a cabeça a girar sem saber onde e quando aquele rodopio todo ia terminar, ouço o comandante dizer: senhores passageiros, são 03.28, acabamos de aterrar no aeroporto de Lisboa, esperamos que a viagem tenha sido do vosso agrado e esperamos voltar a vê-los brevemente na nossa companhia.

Concluiu: oh doutor, ainda fiquei irritado com o que ouvi, mas, respirei fundo, olhei para a menina da TAP e disse-lhe: por favor diga ao comandante que, eu também faço votos que brevemente tenha uma Páscoa Feliz e, que seja do seu agrado.

Bem, depois disto, resta-me apresentar os meus Votos de uma feliz Páscoa.

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