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Artigo de Opinião

silviamariamata@gmail.com

13/03/2022 08:00

Na véspera do primeiro dia da colheita, quis pôr tudo preparado com tempo e à noitinha lembrei-me que certamente era preciso ter uma espátula para retirar o que se sabe de cima do monte de papel higiénico dentro da sanita. Saí à rua e estava a chover. No terreiro, nada que me valesse! Acautelei-me com uma toalha na cabeça e fui até ao meu jardim à procura de um pauzinho, mas tive pena de apanhar um galhinho que fosse das minhas flores, porque era uma consciência esgaçar fosse o que fosse para aquele fim que se sabe. Tudo o que encontrei no chão não tinha préstimo nenhum para servir de espátula! Voltei para dentro de casa pensando que se meu pai fosse vivo teria certamente no telheiro pauzinhos que serviriam perfeitamente de espátula para o fim pretendido. E senti saudades do telheiro! Olha que isto está difícil! Entretanto, lembrei-me que a tia Elvira, quando era viva, tinha muitas orquídeas com muitas caninhas a segurar as hastes. Mas agora não há nada disso, porque eu dei tudo o que eram flores dela a minhas primas! Ainda bem! As caninhas não sei que volta levaram! Entrei no quartinho da máquina de lavar, como a tia Elvira chamava, procurei com os olhos em roda e vi uma caninha de bambu que serve para misturar tintas, quando é para pintar a casa. Ali está a minha salvação! Não sei porquê estava na última prateleira a contar do chão e eu não chegava lá. Por sorte, chegou um dos homens da casa e eu pedi que me tirasse aquilo dali. Graças a Deus, sem perguntas, tive a caninha na mão e pus-me a tentar tirar uma rachinha dela. Não era preciso aquilo tudo. Ainda me pisei na mão só por causa daquilo! Pus o frasco na casa de banho, bem visível e mais a lasquinha da caninha de bambu. Tudo preparado para não me esquecer nem me atrapalhar na manhã do dia a seguir.

No dia seguinte, lá fui eu para dar início a todo o processo. Na ocasião da recolha daquilo que se sabe, claro que tive de abrir o frasquinho! E fiquei a olhar para aquilo! Eu devo ser muito parva! Não é que incorporada na tampa de plástico do frasquinho, precisamente ao meio, no eixo, tinha um género de espátula também em plástico, que serve para recolher aquilo que se sabe?

Isto agora está tudo pensado! Nem com esta marmelada eu posso ser criativa! E o telheiro de meu pai, se ainda existisse, passaria a museu das coisas inúteis! O que faz o século XXI!

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