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Artigo de Opinião

8/04/2023 08:00

A liberdade artística está amordaçada. O teatro, o cinema e a literatura têm de responder a esta nova ordem mundial, que exige a tolerância, mas tolera muito pouco. Um livro não pode ter preto impresso nas suas páginas, o termo gordo também já não pode ser escrito. São palavras consideradas racistas, são palavras identificadas como sendo potencialmente ofensivas, são palavras que urge travar, cancelar e anular, e assim matar obras literárias que foram escritas e caracterizadas, à época que relatavam. Mark Twain, Agatha Christie, Enid Blyton foram atrozmente atingidos. A bela adormecida já não pode ser acordada com um beijo do príncipe encantado, até porque isso não existe, os homens são todos brutos, poucos astutos e feios, tal como diz a canção, e a bela estando desacordada não deu o seu consentimento, pelo que configura-se como um caso claro e óbvio de violência sexual. O agente secreto 007, Bond, James Bond é agora uma mulher de raça negra, provavelmente lésbica, para fazer o "all in" da inclusão. O teatro português foi subjugado por uma "atriz" transexual que exigiu que o actor de uma peça de teatro em cena, pelos vistos identificado como cisgénero, palavra que explico adiante, e que interpretava uma mulher transexual, fosse substituído porque não era na realidade um transexual. A beleza, a arte e o âmago da interpretação não é dar corpo a coisas que não somos? Pôr-nos na pele daquele personagem? Calçar os sapatos daquela pessoa? Os icónicos Simpsons também sucumbiram perante as novas normativas sociais. A Fox substituiu o actor caucasiano que dava voz ao médico Dr. Hilbert, por um actor de raça negra. A lógica por detrás desta decisão é simples. Um boneco animado negro só pode ser interpretado vocalmente por um actor igualmente negro.

Nas nossas escolas, o panorama é igualmente devastador. Nas ilustrações de livros escolares, as meninas já não podem ser princesas, não podem apanhar flores nem serem bailarinas, porque isso são estereótipos de género. Os meninos já não podem brincar com carrinhos, gostar de jogar futebol e andar de bicicleta, porquê? Essas imagens perpetuam o estereótipo de género masculino. As escolas não devem celebrar o dia da mãe e o dia do pai, porque há crianças que não as têm. Celebra-se o moderno dia da família, porque assim julgam ser menos traumático para os petizes, que nunca devem ser contrariados, confrontados e retirados da bolha hermética em que os decidiram encerrar.

A imposição da linguagem inclusiva, vendida como a última coca-cola no deserto, não melhora a vida a absolutamente ninguém. O ele e ela, os plurais do género feminino e masculino, são meros atropelos linguísticos e gramaticais. Apelidarem o leite materno de leite humano, também não vai salvar a humanidade. A biologia não mudou, só produz leite uma mulher que foi mãe, logo o leite é materno, não é humano. Um homem cisgénero, é um homem que nasceu homem e que se identifica com o sexo com que nasceu, ou seja, um homem cisgénero é um homem, ponto. O mesmo se aplica às mulheres. Para quê mais uma designação, para uma situação que sempre existiu? Não é por colocarem as pessoas em caixinhas, caixas e caixotes, como se de matrioskas se tratassem, que as vão incluir no que quer que seja. Impor as diferenças, como a nova normalidade, não trará a paz desejada. Perder-se na semântica, e não se focar nas atitudes que formam e moldam mentalidades, nas ideias que eliminam preconceitos, não trará a paz desejada. Sujeitar a arte e todas as formas de artes performativas, a esta visão afunilada do que deve ser o novo Mundo, não trará a paz desejada.

Envergonhem-se, enfrentem e aprendam com os erros do passado e as lições duras da História, mas não tentem apagá-los. Não rotulem, não encaixem e não empacotem, conforme vos dá jeito. Reconheçam a diferença, aceitem-na e aprendam a viver com ela. Aceitem a liberdade de pensamento. Aceitem a liberdade corporal e sexual. Aceitem a liberdade de escolha. Aceitem a liberdade de opinião. Aceitem a liberdade de ofender e de se sentir ofendido. Aceitem a liberdade de expressão. Aceitem ser livres e deixem os outros serem livres também.

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