Este texto não é um “apelo ao voto”.
Os “apelos ao voto” incomodam. São o atrevimento de pressionar ou de se intrometer na Consciência de cada um.
Prefiro limitar-me a expôr as minhas razões. E cada um, informado assim e de outras maneiras, decidir como entender.
Muitos constatam que Portugal, tal como está, não vai bem, devia ir melhor.
É a Justiça (?), é a Saúde (?), é a Habitação (?), é a má distribuição do Rendimento Nacional por quem trabalha, é a Política de Causas substituída pela “política dos interesses”, é uma iletracia generalizada ao âmbito da Cultura global, é uma centralização política saudosista do colonialismo, é uma “classe política” medíocre.
Desde Francisco Sá Carneiro, a Doutrina do Partido que ajudei a fundar apontava ser necessário alterar o Sistema Político a fim de robustecer social, económica e culturalmente o Regime Democrático português.
Porquê?
Porque nenhuma lei, por melhor ou maior boa-vontade que a caracterize, pode entrar em vigor se contrariar algo que inscrito na Constituição da República Portuguesa.
Todos sabem em que condições, já lá vão cinquenta anos tão distantes do mundo actual, então nasceu esta Constituição nunca referendada pelo Povo Soberano.
Todos sabem como Portugal foi ficando na mesma, ou pior, ultrapassado por outros Estados antes mais atrasados do que nós.
Todos sabem que tantas boas intenções de tentativas de legislação ao longo destes cinquenta anos, foram impedidas por qualquer das inúmeras e excessivas normas constitucionais.
Como todos também sabem que os poderes oligárquico-capitalistas que foram tomando os Partidos através de a Estes reduzir à respectiva dependência, no caso do PSD nacional traindo a História e Doutrina do Partido, tal gente são os muito poucos que lucram com o presente estado de coisas. Razão para logicamente se oporem, férreos, à alteração constitucional do Sistema Político. Oposição de que os respectivos candidatos-funcionários à Presidência da República são agora os arautos proeminentes.
Aliás, já todos percebem porque é que estas oligarquias, desde há anos, colocaram os atuais candidatos-funcionários do PSD e do PS em programas televisivos nacionais, em dias e horas “nobres”.
Os “poderes ocultos” que controlam o Estado, “não brincam em serviço”.
E até manobram as organizações e meios necessários para em qualquer momento pôr em causa a Honra dos que pretendem liquidar!
Nunca escondi a minha oposição ao Sistema Político em que vivemos. Sempre que me candidatei, o Eleitorado sabia-o.
Agora, no fim de um percurso de vida que, graças ao Povo Madeirense, tantas Alegrias me deu e tantos sonhos comuns permitiu concretizar, não vou “virar a casaca” só para apoiar candidatos-funcionários de um Sistema cujos “patrões” levam e exploram os Portugueses por caminhos que considero inócuos e anti-Pátria.
O Presidente da República não tendo poderes para alterar a Constituição, nem sequer podendo recusar uma Lei de Revisão, no entanto, com o Povo, pode influenciar, motivar, organizar e tocar a reunir.
Como pode e deve vetar tudo o que seja para manter este Sistema pôdre.
O Povo português, Soberano, pela primeira vez elegeu uma Assembleia da República com mais de uma opção possível de formação de uma maioria de revisão constitucional.
Os dirigentes partidários que subordinados às oligarquias capitalistas que mandam no Sistema Político, parecem querer desprezar a vontade democrática dos Portugueses.
Daí que eu apoie Gouveia e Melo, por ser o único que, contra os partidocratas, defende a alteração constitucional do Sistema Político. Sem a qual, ATÉ, não será possível a MAIS AUTONOMIA, nosso Direito inabdicável. Não podemos continuar agachados!
Vamos ver se o Eleitorado, sempre tão queixoso - E COM RAZÃO - por medo vai manter tudo na mesma...
Seria uma vergonha cívica nacional.
Ah! E ainda temos o “bluff” do sr. Ventura! Ele e o seu Partido sobrevivem graças a esta degradação do Sistema Político. Desapareceriam do mapa se Justiça, Saúde, Habitação, Equidade Social, Cultura global, descentralização e qualidade da “classe política” se tornassem boas realidades.
Por isto é que o “Chega” está a fazer o frete aos Partidos do Sistema Político, concorrendo para que o Almirante não vá à segunda volta. Ventura & companhia sabem que, na segunda volta, o “Chega” nunca será eleito. Vencerá um candidato-funcionário do sistema oligárquico-capitalista. O que permitirá ao “Chega” continuar o crescimento da extrema-direita, permitirá à “esquerda caviar” - que vota neste PSD - a usufruir dos benefícios do Sistema Político no estado em que se encontra, permitirá à extrema-esquerda, com a continuidade da deterioração, voltar a sonhar com dias melhores.
E vejam certas “cabeças “que por aí andam!....
Há dias, umas damas burguesas diziam-me: “Ai! Não gostei como o Almirante falou com os marinheiros desobedientes! “.
Reparem nesta “cultura” que corrói Portugal! A Defesa Nacional transformada, à mercê, de “comportamentos sindicais”!...
Basta de tanta tolice, ainda sobrevivente neste País desgraçado!.
Eis as minhas razões. Ao contrário de outros, nunca tive a preocupação de estar sempre com o Poder ou com presumíveis “vencedores “.
Só me sinto feliz sendo coerente, nunca baixando os braços e preparando-me sempre para o que possa seguir-se. Seja o que fôr.