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Artigo de Opinião

DO FIM AO INFINITO

9/01/2026 08:00

Na verdade, para o título ser perfeito, aquele ‘à’ devia ter o acento ao contrário. Acento agudo. É assim que se diz, não é? Agudo, grave, circunflexo... Enfim... Olha, enganei-me. Mas já que está, deixo ficar. Se calhar, para o título ficar mesmo perfeito, perfeitíssimo, devia ser... ou deveria ser... sei lá.... malditos tempos verbais! Pronto, devia ser assim: Ah de haver com agá. Porém, gosto mais da frase com um acento para cada lado, como se fossem as suas orelhas. Fica mais bonita. Não acham? Grave no princípio, agudo no fim. Ou será ao contrário?

Raios me partam!

Não faço outra coisa senão escrever e, no entanto, dou erros de Português desde que aprendi a escrever. Erros de ortografia, de sintaxe, de semântica, de léxico, de pontuação. Enfim, dou erros a todos os níveis da língua. Às vezes, são inocentes, sem maldade, e decorrem da distração ou do excesso de confiança, que são praticamente a mesma coisa. Outras vezes, porém, são graves, pesados, imperdoáveis, sobretudo quando acontecem na esfera profissional, o que é sempre terrível, considerando que sou jornalista há mais de trinta anos.

Como é óbvio, o facto de trabalhar na imprensa há tanto tempo não implica que eu seja necessariamente um bom jornalista, longe disso, mas no mínimo devia fazer de mim um bom escrevedor de Português. E, contudo, falho. Ora são gralhas, ora são erros de concordância, ora é a confusão entre o atributo do sujeito e do complemento direto (o que altera dramaticamente o sentido das frases), ora são cacofonias horrendas, falhas na pontuação (outro caso que pode ser dramático), caos na sintaxe, dormência no ritmo, entre outros males maiores e menores, e volta e meia – horror dos horrores! – lá surge também um erro ortográfico.

Uma vergonha!

E não há desculpa possível, não há!

Às vezes, bastava uma revisão atenta ou um par de vírgulas para evitar o erro.

Depois, saltam críticos de todos os quadrantes, uns até vindos de Marte e outros do Além, e um gajo é enxovalhado à grande e à francesa, é julgado sumariamente na praça pública, é condenado à morte, porque eles, os juízes, são perfeitos e nunca falham em coisa alguma, seja pública, privada ou íntima, muito menos profissional, ao passo que um gajo aqui, coitado, é o único responsável pelo Mundo avançar a grande velocidade para o abismo só porque escreveu ‘gélico’ em vez de ‘gélido’, ou ‘vai há merda’ em vez de ‘vai à merda’.

Puta que os pariu.

Eu cá conheço muito bem o verbo ‘errar’ e sei conjugá-lo em todos os tempos e pessoas, sobretudo na primeira pessoa de todos os tempos da minha vida. Errei, errava, errara, erro, errarei e por aí adiante, incluindo o maravilhoso gerúndio, ou, como se diz em inglês, o presente contínuo: errando. Claro que sim. Errando sempre até que o Diabo me leve. Ou seja, neste caso, até deixar de escrever. Só o Diabo tem força para me fazer deixar de escrever. Não os erros de Português.

O Diabo é definitivo. Os erros corrigem-se.

Por outro lado, como tenho muito medo do Diabo, evito sempre entrar na corrente da crítica. É fácil perceber ao que o outro vem pelo tom com que se expressa, se é construtivo, venenoso, arrogante, se tem manias de ser o melhor em tudo, se é piedoso, invejoso, tontinho, ou simplesmente humorista, um tipo que gosta de rir e de fazer os outros rir, mas da minha parte nunca saco a arma ao estilo do Lucky Luke, pois ao ser mais rápido do que a sombra, disparo sempre contra o próprio corpo. E, como sou certeiro, morro. E os outros continuam na sua.

Não sei se me faço entender...

De qualquer maneira, enquanto andar por aqui a escrever, seja a título pessoal ou profissional, continuarei a dar erros de Português, tenho a certeza, incluindo erros básicos, daqueles que a minha professora primária tentava resolver à reguada e eu apanhei muitas à conta deles. Para mim, o erro tem tudo a ver – ou talvez tenha tudo haver, sabe-se lá – com o conhecimento. Eu diria mesmo que quanto maior é o meu conhecimento da língua, maiores são também os erros que cometo. Mas não é por isso que escrevo mal. Antes pelo contrário. É a velha máxima: Só erra quem faz. Mai nada!

E o resto é a vida! Eh vida cheia de ênrros, sim senhor!

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